O chefe da vitória
Nem precisou de concretizar a reeleição para ser "o melhor primeiro-ministro da história do PS". Foi assim que o classificou, em discurso de campanha, Almeida Santos, presidente do partido. Em determinação, pelo menos, José Sócrates não tem rival. Fez prova disso ao longo de mais de quatro anos e meio que leva na chefia do Governo. A relação firme e fiel com a sua equipa mede-se, de forma clara, no facto de dez dos 16 ministros que escolheu para tomarem posse consigo, a 12 de Março de 2005, o acompanharem até ao exame eleitoral de ontem. E mais seriam se António Costa não saísse para ganhar a presidência da Câmara de Lisboa aos sociais-democratas e Manuel Pinho não perdesse os propósitos em pleno debate na Assembleia.
O "animal feroz", como a si próprio se definiu, mostrou a sua capacidade de ataque, comprando muitas guerras ao longo da legislatura. Levou por diante a ideia de que "o mais importante na política é ter a iniciativa". Não se sabe quantas viagens fez a Vilar de Maçada, em Trás-os-Montes, sua terra de naturalidade por opção dos pais, que lá o registaram, apesar de ter nascido no Hospital de Santo António, no Porto. Mas se foi lá que continuou a ponderar as decisões, muitas montanhas viu para avançar contra as férias judiciais, redesenhar no mapa o Serviço Nacional de Saúde ou impor uma avaliação aos professores, entre outras.
Uma biografia autorizada, assinada por Eduarda Maio e apresentada por Dias Loureiro em Junho de 2008, com o título ‘O Menino de Ouro do PS’ – que a autora revelou ter transcrito do Correio da Manhã – fez o contraponto do "animal feroz". Mostrou-o afectuoso e embevecido pela natureza e pelos familiares. Foi sol de pouca dura, porque à parte o gosto pela guitarra e pela música recebido do pai, houve muitos parentes que se tornaram incómodos com o ressurgir do caso Freeport, com enrodilhados de empresas e depósitos em offshores. Só com muita determinação e a vontade de procurar sempre a iniciativa José Sócrates limitou os efeitos do que chamou uma campanha negra. Mas venceu.
SAIBA MAIS
NUDISMO
Deputado do PS por Castelo Branco desde 1987, fez a primeira intervenção para apoiar um projecto-lei para legalizar o nudismo.
1997
Numa remodelação alargada, Guterres nomeou-o ministro--adjunto do primeiro-ministro.
2004
Protagonizou a escolha dePortugal para a fase final do Euro.
POLÉMICAS
Licenciatura na Independente e Freeport são casos quentes.
O ARRASO A SANTANA
Como previam as sondagens, Sócrates obteve em 2005 uma vitória absoluta, com mais de 45% dos votos. Foi o melhor resultado de sempre do PS para a Assembleia, e frente a um primeiro-ministro em funções, Santana Lopes. Um arraso que não se imaginava entre comentadores habituados a se enfrentarem aos domingos à noite na RTP.
ROTEIRO DE VIDA
VILAR DE MAÇADA
Esta aldeia do concelho de Alijó, em Trás-os-Montes, foi a naturalidade escolhida pelo pai para José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, nascido a 6 de Setembro de 1957.
COVILHÃ
A vida profissional levou o pai de Sócrates para as faldas da serra da Estrela, onde viveu toda a infância e juventude, mesmo depois de os pais se separarem. Fez o Secundário na Frei Heitor Pinto.
COIMBRA
Aluno do ISEC, fez em 1979 o bacharelato como engenheiro técnico civil e, como os irmãos Patrão, desistiu da JSD.
LISBOA
Foi eleito pela primeira vez para deputado em 1987 e com a vitória do PS de Guterres em 95 entrou para o Governo como secretário de Estado Adjunto do Ambiente.
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