O PALÁCIO DAS CINZAS
Xanana Gusmão já não mora no imponente palácio colonial que se debruça sobre a marginal de Díli. O presidente timorense bateu com a porta por não lhe agradar o gabinete minúsculo que o Governo colocou à sua disposição. E mudou-se de armas e bagagens para a antiga direcção dos transportes no tempo dos indonésios.
A nova casa presidencial não podia ter um nome mais sugestivo – Palácio das Cinzas. É que o edifício foi completamente devorado pela fúria dantesca que se seguiu ao anúncio dos resultados do referendo em 1999.
É ali que Xanana recebeu Morais Sarmento. As paredes estão queimadas na alma, os corredores sangram cinzas de revolta. A carga simbólica é enorme. O presidente não quer que se apague da memória a onda de violência indonésia que em 1999 varreu Timor do mapa.
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