PCP culpa Montenegro pelos problemas nos exames nacionais e critica falta de coragem do ministro da Educação "na bronca"
Paulo Raimundo defendeu que muitas coisas estão por resolver" e estimou a existência de "milhares de estudantes" ainda com as notas suspensas.
O secretário-geral do PCP responsabilizou este sábado o primeiro-ministro pelos problemas verificados nos exames nacionais, que considerou ainda não resolvidos, e afirmou que o ministro da Educação revelou falta de coragem e de verticalidade perante "a bronca".
Paulo Raimundo falava no encerramento de uma festa convívio de verão promovida pelo PCP, em Beja, num discurso com cerca de 25 minutos centrado nas críticas à ação do Governo PSD/CDS, à qual associou sobretudo o Chega e a Iniciativa Liberal.
Na questão dos exames nacionais, o secretário-geral do PCP defendeu que muitas coisas estão por resolver" e estimou a existência de "milhares de estudantes" ainda com as notas suspensas.
Perante esta situação, Paulo Raimundo disse que o ministro da Educação, Fernando Alexandre, na sexta-feira, na Assembleia da República, num debate promovido pelo PCP, "conseguiu estar 40 minutos sem dizer nada e, quando abriu a boca, nada disse".
"Não disse porque ele não tem como justificar o injustificável e a única coisa que ele podia ter dito era dizer peço desculpa. Mas até nisso lhe faltou a coragem. Até nisso lhe faltou aquilo que é a verticalidade da sua responsabilidade", advogou.
Na perspetiva do secretário-geral do PCP, na origem do problema verificado nos exames nacionais, está a política do Governo de "desmantelamento do Estado". Referiu que no Ministério da Educação foram dispensados mais de 500 profissionais, o que "desorganizou toda a estrutura - e os resultados estão à vista".
"A expressão mais visível que temos neste momento é exatamente toda esta bronca, toda esta atrapalhada, com consequências na vida de milhares de estudantes e de milhares de famílias", declarou, antes de atacar o primeiro-ministro, Luís Montenegro.
"Independentemente das opiniões que possamos ter sobre a arrogância, sobre um umbigo demasiado grande, sobre a ideia de que só ele [Fernando Alexandre] é que marcha bem, a verdade é que a responsabilidade não é só dele. A responsabilidade é do Governo todo e do primeiro-ministro, que teve a coragem de dizer - e ainda bem que disse - que estava ao lado do ministro da Educação", assinalou o líder comunista.
Ainda segundo Paulo Raimundo, Luís Montenegro esteve ao lado do ministro da Educação quando este "voltou a acusar os professores, os diretores de escola pela responsabilidade que é dele".
"Se o primeiro-ministro esteve ao lado do ministro da Educação, então, se fosse um homem de coragem, um homem de palavra, um político com responsabilidades, então assumia todas as responsabilidades que advêm da situação criada", sustentou.
O secretário-geral do PCP deixou ainda um aviso sobre o que poderá acontecer em breve por causa dos exames nacionais: "Vamos ver se há coragem ou vamos ver quem é o primeiro a cair em toda esta história".
Na sua intervenção, Paulo Raimundo atacou a política do Governo PSD/CDS, "apoiado naquilo que é fundamental pelo Chega e a Iniciativa Liberal e a quem o PS teima em dar a mão".
Deixou farpas ao Chega ao fazer a seguinte advertência: "Não se iludam com as gritarias, não se iludam com os teatros, não se iludam com os TikToks, porque no essencial nada separa o PSD, o CDS, o Chega e a Iniciativa Liberal".
Deixou ainda outro recado, considerando que, no âmbito da ação do executivo, "não há um problema do ministro A, B ou C".
"É claro que, quando se juntam na mesma sala, no mesmo Conselho de Ministros, umbigos muito grandes, a arrogância extrema, projetos políticos para desancar nas nossas vidas, é claro que não é indiferente o estilo, a forma de estar, a arrogância deste ou daquele ministro. Mas o problema de fundo não é a pessoa A, B ou C. O problema de fundo é uma política que tem um objetivo concreto ao serviço de uns poucos", considerou.
Paulo Raimundo defendeu que "há um plano em curso para destruir os meios públicos, os recursos de todos para entregar todos esses recursos nas mãos de poucos".
"E para esse plano ser implementado, é mais fácil que nós estejamos divididos", acrescentou.
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