Pombal com condições para realizar eleições presidenciais no domingo
Município alerta para a injustiça de grande parte da população não ter conseguido acompanhar a campanha.
O município do Pombal vai realizar as eleições presidenciais no domingo, apesar das condicionantes decorrentes da falta de energia e comunicações, mas alerta para a injustiça de grande parte da população não ter conseguido acompanhar a campanha.
Por causa das consequências do mau tempo, já três municípios decidiram adiar a realização das eleições presidenciais de domingo: Alcácer do Sal, Arruda dos Vinhos e Golegã.
Em comunicado, a Câmara Municipal do Pombal informa que a decisão foi tomada na quinta-feira na reunião diária do Centro de Coordenação Operacional Municipal (CCOM), onde têm assento várias entidades, incluindo o executivo municipal e as juntas de freguesia.
Na nota, a autarquia diz que estão reunidas as condições físicas para-a realização do ato eleitoral, mas que não está garantido o direito do período de reflexão, tendo em conta que a maioria dos habitantes está preocupada em resolver os estragos nos seus bens causados pelo mau tempo.
Insiste que esta situação cria uma "tremenda injustiça" para grande parte da população do concelho, que não conseguiu acompanhar a campanha eleitoral em igualdade de oportunidade com o restante território nacional devido às condicionantes do mau tempo.
Tendo em conta a falta de acesso às redes de energia e de comunicações, refere que 85% da população do concelho se sente "defraudada do seu direito ao voto através de uma escolha tranquila, consciente e informada".
Contudo, a autarquia sublinha que um eventual adiamento de sete dias - previsto pela lei - não iria criar oportunidades para que esta situação se alterasse.
"Os autarcas decidiram responder ao Estado e à democracia com responsabilidade, eficácia e sentido de Estado", refere a autarquia, destacando que, em conjunto, município, trabalhadores e freguesias farão um "esforço hercúleo" para garantir o ato eleitoral, apesar do "desgaste psicológico de toda a comunidade".
Apesar do pedido de um dos candidatos presidenciais para que se adiasse a data das eleições na globalidade do país, a lei eleitoral não o permite, possibilitando apenas que isso aconteça em determinadas localidades atingidas por intempéries.
Portugal está a ser afetado pela passagem da depressão Leonardo, com chuva persistente e por vezes forte.
Doze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
O Governo decidiu na quinta-feira prolongar até ao dia 15 de fevereiro a situação de calamidade para 68 concelhos em além do pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros que já tinha anunciado, disse que a partir desta sexta-feira seriam disponibilizados 275 Espaços de Cidadão e 12 carrinhas móveis.
Admitiu ainda a possibilidade de se libertar trabalhadores de obras públicas que estejam disponíveis para prestar serviço nas localidades mais afetadas pelo mau tempo.
Estas são as piores cheias dos últimos anos, com alertas para Alcácer do Sal, no distrito de Setúbal, mas também para a bacia do Tejo ou para rios no Algarve ou a norte do país, e com previsões de mais chuva nos próximos dias.
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