Portas abandona liderança

"Terminou o ciclo político em que eu presidi ao CDS-PP durante sete anos". Paulo Portas assumiu pessoalmente o mau resultado dos democratas-cristãos nas legislativas deste domingo, sublinhou que falhou os quatro objectivos a que se propôs e anunciou a sua demissão da liderança do partido.

20 de fevereiro de 2005 às 23:16
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Eram cerca das 23h05 quando Paulo Portas falou ao País. O (ainda) líder do CDS-PP começou por dizer que "em democracia o povo é soberano" e revelou que telefonou a José Sócrates para o felecitar pela vitória eleitoral do PS.

"O centro-direita perdeu as eleições", continuou Paulo Portas, salientando que a soma dos votos do PSD e do CDS-PP não excede os 36% e considerando que este é "o resultado mais fraco (do centro-direita) desde que há eleições legislativas em Portugal".

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Numa sala de semblantes carregados, com um silêncio notório a acompanhar as palavras do líder, Paulo Portas disse que o CDS-PP, apesar de recuar, terá um grupo parlamentar de 12 deputados. "Graças a Deus, muito longe do partido do táxi", referiu. Como prémio de consolação, Portas salientou a reconquista do deputado por Viana do Castelo.

Afirmando que se retira de consciência tranquila, por ter deixado melhor trabalho na Defesa Nacional que aquele que herdou, Portas desabafou: "As coisas são o que são". O ainda líder democrata-cristão referiu falhou os 4 objectivos que estabeleceu nesta campanha: maioria de centro-direita ("era difícil"); evitar maioria do PS ("falhei"; atingir os 10% ("perdi") e conseguir que o CDS-PP fosse a 3ª força parlamentar ("fui, nesta matéria, pessoalmente derrotado").

Portas fez ainda um comentário à subida do Bloco de Esquerda. "Não há nenhum país civilizado no Mundo onde a diferença entre trotskistas e democratas-cristãos seja de um por cento", disse Portas, referindo-se à ascenção do extremismo e radicalismo de esquerda em Portugal.

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Depois deste comentário, Portas anunciou que terminou o seu ciclo de líder e que no conjunto conseguiu atingir o objectivo inicial, que era levar o partido ao governo. Mas a derrota eleitoral foi pessoal e, como tal, Portas anunciou que vai convocar em breve o Conselho Nacional do CDS-PP e pedir a realização de um Congresso extraordinário para a escolha de um novo líder.

Paulo Portas demite-se e abre a porta à sucessão. E o Conselho Nacional vai marcar um congresso extraordinário e o líder democrata-cristão promete ajudar a nova direcção, que sair desse conclave e não deixará de militar no partido.

Abre-se agora o processo de sucessão interna, com quatro figuras à cabeça de uma lista de possibilidades. Pires de Lima, vice-presidente, Telmo Correia, Nobre Guedes e António Lobo Xavier e Maria José Nogueira Pinto.

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A saída do líder já tinha sido equacionada durante a tarde, apesar de, na altura, ninguém o admitir. Em Lisboa, em plena campanha, Portas lembrara já que não estava dependente da política e que saberia qual a hora de sair. Hoje, voltou a repetir essas palavras. Mas uma dúvida permanece: assumirá o mandato de deputado?

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