Portas avisa que é preciso discutir envelhecimento já de forma racional e "sem radicalismos"

Antigo vice-primeiro-minisro considerou que é mais eficaz responsabilizar plataformas digitais judicialmente do que limitar seu o acesso por idade.

29 de agosto de 2026 às 16:14
Paulo Portas Foto: Direitos Reservados
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O antigo vice-primeiro-minisro Paulo Portas avisou este sábado que a Europa tem de discutir já o problema do envelhecimento, "sem radicalismos", e considerou que é mais eficaz responsabilizar plataformas digitais judicialmente do que limitar seu o acesso por idade.

Estes foram dois dos temas abordados por Paulo Portas este sábado numa "aula" dedicada ao tema "O que vai por esse mundo?" da Universidade de Verão do PSD, iniciativa de formação política de jovens, que decorre até domingo em Castelo de Vide (Portalegre).

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Numa sessão que ultrapassou as duas horas previstas, e toda dedicada a temas internacionais, o antigo líder do CDS-PP elegeu o envelhecimento como o principal problema da Europa, sem abordar nunca o debate nacional sobre a sustentabilidade da Segurança Social.

"Queremos começar a discutir o problema do envelhecimento das nossas sociedades com cabeça, tronco e membros e com argumentos racionais, ou queremos 'likes' e radicalismos? É porque o problema não se resolve com um 'tweet'", avisou.

Portas avisou que o problema envolve "muitas políticas públicas" como habitação, impostos, trabalho, família, migrações.

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"É preciso que estejam alinhadas nas estrelas. Porque é muito difícil inverter um declínio demográfico. São precisas décadas, o ponto é que quanto mais tarde começarmos, pior", disse.

O também comentador televisivo abordou também a situação das plataformas digitais, considerando que o tempo da sua "total impunidade" e falta de escrutínio estará a terminar.

"Vão ser cada vez mais escrutinadas, e a meu ver, ainda bem. Muito mais importante do que um limite de idade, para mim, é a clarificação de que elas são submetidas à justiça civil e penal, e até em particular à civil, porque o que lhes dói é o dinheiro que deixam de ganhar à custa da vida de outros", disse.

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Em Portugal, o parlamento já aprovou na generalidade -- deverá voltar ao tema em setembro -- um projeto-lei do PSD que pretende regular o acesso às redes sociais a menores de 16 anos.

A guerra do Irão ou as relações com os Estados Unidos foram outros dos temas, tal como a questão da energia, que Portas apontou como o segundo maior problema da Europa, depois da demografia.

"Nós não temos petróleo. Nem temos abundante gás. E quem tinha, bazou. Foi o Reino Unido", disse.

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O antigo vice-primeiro-ministro questionou o que é que preciso mais, depois da invasão da Ucrânia ou do aumento no preço da energia em 30% da guerra no Médio Oriente, para que a Europa perceba que não pode "depender da instabilidade geopolítica dos países produtores de petróleo".

"Não ponham a ideologia no meio de questões técnicas, isto então torna-se tóxico", avisou, sugerindo a aposta em todas as renováveis, avisando que "não fazer nada não é opção, não é política, é agravar o problema".

Como exemplo do pragmatismo que defende, apontou o exemplo do parlamento galego.

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"Os galegos são muito ponderados e moderados como pessoas. É o único parlamento de Espanha onde não há Podemos nem Vox. Conseguem imaginar a felicidade? Não há gritaria, não gostam", afirmou, provocando risos na audiência.

A longa aula começou com o aviso de que se vive uma era de "declínio da racionalidade", nomeadamente na tomada de decisões politicas e económicas, passando para um dos temas que dominou a atualidade no último mês: as tensões migratórias em Ceuta.

Portas salientou que o problema tem várias explicações, incluindo a "regularização bastante massiva" feita por Espanha de 1,2 milhões de imigrantes irregulares.

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"As redes sociais tiveram um papel subterrâneo massivo que surpreendeu os dois governos (Espanha e Marrocos)", disse, avisando que o que se passou em Ceuta deve servir como "uma grande lição", que antecipou que "não será a última".

O antigo líder do CDS-PP foi recebendo cumprimentos de vários fãs do seu comentário televisivo semanal na TVI e até os parabéns pela nomeação como comissário-geral para as Comemorações dos 900 anos da Fundação de Portugal.

"Graças a Deus, há 900 anos não existiam esses conceitos de esquerda e direita, porque senão tínhamos perdido mais tempo a discutir o que é que cada um era do que a construir a formação de Portugal, que foi construída com todos e continua a ser construída com todos", afirmou.

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