Portugal e Arábia Saudita defendem livre circulação no estreito de Ormuz

Declarações foram feitas após um encontro entre Faisal Bin Farham Al Saud, chefe da diplomacia saudita e Paulo Rangel, no Palácio das Necessidades, em Lisboa.

16 de junho de 2026 às 20:09
Portugal e Arábia Saudita defendem livre circulação no estreito de Ormuz Foto: António Pedro Santos/Lusa
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Os chefes da diplomacia de Portugal e Arábia Saudita saudaram esta terça-feira em Lisboa o acordo entre Irão e Estados Unidos para pôr fim ao conflito no Médio Oriente e defenderam a livre circulação no estreito de Ormuz, sem taxação.

"Abordámos os desenvolvimentos regionais e internacionais e sublinhamos a necessidade de evitar a escalada", disse, numa declaração à imprensa, o chefe da diplomacia saudita, Faisal Bin Farham Al Saud, após um encontro com o homólogo português, Paulo Rangel, no Palácio das Necessidades, em Lisboa.

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Por seu lado, o ministro Paulo Rangel defendeu ser "fundamental, em primeiro lugar, que este acordo seja assinado na sexta-feira e que essencialmente se olhe também para a questão libanesa".

“Esteja ela dentro ou fora do acordo, ela vai ser sempre essencial para o seu sucesso”, sustentou.

Rangel recordou que estão previstas negociações entre os governos do Líbano e de Israel, em Washington, na próxima segunda-feira, e fez “um apelo muito grande para que, seja o Hezbollah, que tem estado com uma atividade bastante forte, seja Israel, tenham contenção porque isso tem impacto numa questão de alcance mais geral e global, que é justamente o acordo de paz ou de um cessar-fogo duradouro”.

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O ministro saudita sublinhou que “neste momento sensível”, o estreito de Ormuz – que Teerão bloqueou como retaliação aos ataques israelo-americanos iniciados em 28 de fevereiro – e “outras rotas marítimas vitais” devem “permanecer abertas e seguras e não devem tornar-se outra fonte de tensão”.

No mesmo sentido, Paulo Rangel manifestou preocupação com “a perspetiva de poder haver mais tarde alguma taxação" imposta pelo Irão no estreito de Ormuz.

Lisboa e Riade, destacou, “têm uma posição muito clara, que é de cumprimento do Direito do Mar, tal como está estabelecido e que significa obviamente que temos que voltar exatamente à situação de liberdade de navegação que existia em Ormuz antes de este conflito ser iniciado”.

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O estreito de Ormuz é um ponto de passagem estratégico, por onde circulava cerca de um quinto da produção mundial de petróleo antes do bloqueio iraniano.

Paulo Rangel comentou ainda que está previsto um período de 60 dias para negociações entre Teerão e Washington sobre o estreito de Ormuz e o programa nuclear iraniano, mas salientou também que é preciso apoiar o povo iraniano na recuperação e que vai ser necessário restabelecer a confiança afetada pelos ataques do Irão aos países vizinhos.

“É preciso reatar as conversações que levem à confiança, [para que] os países do Golfo e os outros vizinhos possam realmente encontrar uma plataforma de entendimento que dê segurança a todos e que permita, no fundo, que uma das zonas, designadamente os países do Golfo, que é das mais dinâmicas, mais desenvolvidas e mais ricas do planeta, possa evidentemente retomar esse seu papel que é importante para a economia mundial”, sustentou.

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O ministro Al Saud referiu-se ainda a Gaza, sublinhando “a importância de apoiar um caminho político rumo a uma paz justa e duradoura, alinhada com a legitimidade internacional e a solução de dois Estados [Israel e Palestina]”.

“Reafirmámos também a necessidade de rejeitar a expansão dos colonatos na Cisjordânia e quaisquer tentativas de separar a Cisjordânia de Gaza ou minar as perspetivas de um Estado palestiniano viável”, acrescentou.

O príncipe saudita felicitou Portugal pela eleição como membro não-permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas no biénio 2027-2028.

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“Esperamos uma estreita coordenação com Portugal nesse papel”, afirmou Faisal Al Saud.

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