Pré-ruptura leva Seguro a Belém
O secretário-geral do PS, António José Seguro, reúne-se hoje com o Chefe de Estado, Cavaco Silva, para discutir a situação de "pré-ruptura social no País" e a "urgência" de se alterarem as políticas seguidas para se ultrapassar a crise. <br/><br/>
A audiência foi classificada ontem pelo líder do maior partido da Oposição como "normal", mas ninguém quis revelar de quem partiu a iniciativa. Sinal de que poderá ter sido Belém a chamar Seguro, tal como fez na semana passada com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas.
Ao primeiro-ministro, Passos Coelho, Seguro deixou ontem claro que o PS ficará à margem do plano de cortes de quatro mil milhões de euros na despesa até 2014: o Governo é quem tem a responsabilidade, porque negociou sozinho essa obrigação com a troika. De parte fica também a revisão constitucional.
Seguro ainda esclareceu que, se o País tiver de pedir um segundo resgate de ajuda financeira, é o resultado do falhanço da política do actual Governo.
Confrontado com o encontro entre Seguro e Passos, Mário Soares afirmou que o primeiro--ministro "humilhou" o PS e agora queria que participasse na redefinição das funções do Estado para "se manter no poder", considerando que "só se o PS fosse doido" aceitaria.
Entretanto, os partidos da coligação (PSD/CDS) escreveram uma carta ao Parlamento para agendar conferências sobre a reforma do Estado.
DIÁLOGO COM OS SINDICATOS
A convergência com o PS sobre as críticas ao Orçamento para 2013 já era conhecida, mas o líder da UGT, João Proença, quis ontem deixar um aviso ao Governo, depois de um encontro com o líder socialista: "Não pode haver cortes de três a quatro mil milhões de euros."
António José Seguro também se deslocou à sede da CGTP e o seu secretário-geral, Arménio Carlos, acusou o Governo de estar "continuamente a mentir".
O líder do PS apelidou estas audiências de "diálogo social" e fez-se acompanhar de Bruto da Costa, ex-responsável do Conselho Económico e Social.
À noite, Seguro reuniu a comissão política nacional e ouviu críticas de falta de liderança sobre o caminho a seguir e num cenário de eleições antecipadas.
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