Presidente da República pede modelo de apoio à comunicação social consensual e estável
Mensagem do chefe de Estado, gravada em vídeo, com cerca de três minutos, foi transmitida esta quarta-feira no fim de uma conferência comemorativa dos 40 anos da Lusa.
O Presidente da República pediu esta quarta-feira que se encontre um modelo de apoio à comunicação social consensual e estável, que assegure a independência dos media, numa mensagem por ocasião dos 40 anos da agência Lusa.
"É importante que o país encontre um modelo de apoio à comunicação social que seja consensual, estável e garanta a independência dos meios de comunicação", declarou António José Seguro.
A mensagem do chefe de Estado, gravada em vídeo, com cerca de três minutos, foi transmitida esta quarta-feira no fim de uma conferência comemorativa dos 40 anos da Lusa, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, sobre "Democracia e Desinformação: Desafios dos Media e do Serviço Público na Era Digital".
O Presidente da República considerou que este é um tema "da maior importância" e que deve ser debatido noutros fóruns e também nas escolas.
"É nas escolas que começa aquilo que verdadeiramente nos protege: a formação de um pensamento crítico, o hábito de colocar a dúvida como método, o cuidado de validar as fontes. São práticas essenciais para que cada cidadão se sinta mais informado e mais livre nas suas escolhas", argumentou.
Depois, António José Seguro falou sobre a questão da sustentabilidade económica dos órgãos de comunicação social, manifestando preocupação com situações de "vulnerabilidade económica" e as suas implicações.
"A vulnerabilidade económica traduz-se quase sempre em menos qualidade, menos liberdade e maior dificuldade em cumprir a função essencial do jornalismo", referiu.
Neste contexto, defendeu que se deve encontrar "um modelo de apoio à comunicação social que seja consensual, estável e garanta a independência dos meios de comunicação", sem aprofundar o tema nesta curta mensagem.
Sobre a desinformação, António José Seguro enquadrou-a como um fenómeno antigo: "Basta percorrer a história da propaganda ou recordar o que esteve na origem de alguns acontecimentos que marcaram profundamente a humanidade para encontrarmos de forma abundante a manipulação e o rumor transformados em ódio, frequentemente, com vestimenta militar, religiosa ou envoltos numa bandeira política".
"O que é novo hoje é a escala e a velocidade. Convivemos ao mesmo tempo com o tempo da pós-verdade e com plataformas de dimensão verdadeiramente imperial, onde um só clique pode abalar a confiança numa pessoa, numa instituição, num país, numa etnia ou numa confissão religiosa", descreveu, acrescentando que não faltam exemplos "desde a manipulação de processos eleitorais, a episódios de desinformação que geram tensão social e violência".
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