Presidente do parlamento madeirense alerta para desconfiança das pessoas nos organismos públicos
Social-democrata falava na sessão solene comemorativa dos 50 anos da Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira.
A presidente do parlamento madeirense defendeu este domingo que a instituição pode ser o "antídoto natural" contra a polarização e a desconfiança das pessoas nos organismos públicos, sublinhando a importância de preservar "a serenidade, o rigor e a responsabilidade".
"Vivemos num tempo de polarização crescente, do uso e abuso de discursos tóxicos, onde os cidadãos tendem a refugiar-se em bolhas mediáticas, em circuitos fechados, e onde as pessoas, tendencialmente, desconfiam das instituições públicas e políticas", avisou Rubina Leal.
A social-democrata falava na sessão solene comemorativa dos 50 anos da Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira, que decorreu no largo junto ao edifício do parlamento, no Funchal, e contou com centenas de convidados.
A cerimónia evocou o dia da primeira reunião da Assembleia Regional, em 19 de julho de 1976, na sequência da instalação do regime autonómico na Madeira.
"Este parlamento pode ser o antídoto natural contra essa polarização, porque é o espaço de excelência do pluralismo institucional, onde o conflito se transforma em divergência, mas também em decisão", sustentou Rubina Leal.
A representante destacou o papel do parlamento na afirmação da autonomia regional, com a realização de cerca de três mil reuniões plenárias e a aprovação de cinco mil iniciativas legislativas em 50 anos, e considerou que "os desafios futuros impõem consciência, pensamento e decisão".
"Vivemos num tempo de profundas transformações tecnológicas, económicas e sociais, em que a rapidez da informação nem sempre favorece a reflexão e a confiança nas instituições democráticas é frequentemente posta em causa", alertou, reforçando que, "num tempo marcado pela urgência, estas instituições têm o dever de preservar a serenidade, o rigor e a responsabilidade".
Para Rubina Leal, a primeira mulher a assumir a presidência do parlamento regional, em 2025, os próximos anos continuarão a colocar novas exigências à autonomia e às suas instituições, pelo que defende a aposta numa "democracia forte" e num "parlamento respeitado".
"As instituições verdadeiramente grandes não vivem apenas da memória que preservam. Vivem da confiança que inspiram. A confiança como cimento da democracia representativa, mas também o seu capital mais vulnerável", observou.
"Enquanto esta Assembleia continuar a merecer a confiança do povo madeirense e porto-santense, continuará a cumprir a sua mais nobre missão: ser a expressão democrática da vontade de um povo livre, responsável e confiante no seu futuro", acrescentou.
Na sessão solene comemorativa dos 50 anos da Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira foram homenageados os cinco presidentes anteriores -- Emanuel Rodrigues, Nélio Mendonça (já falecidos), Miguel Mendonça, Tranquada Gomes e José Manuel Rodrigues -- e também todos os deputados que exerceram funções no decurso das ultimas cinco décadas.
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