Presidente do Parlamento pede mais abertura do poder judicial aos media
Aguiar-Branco considera que o "isolamento prejudica a justiça".
O presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, apelou esta sexta-feira à abertura do sistema judicial à comunicação social, considerando que o "isolamento prejudica a justiça".
Falando na cerimónia de abertura da 68.ª Reunião Mundial de Juízes, que decorre em Lisboa, Aguiar-Branco considerou que é "importante que o Ministério Público e os juízes se habituem a falar com a imprensa", de uma forma quotidiana, em "assuntos que não impliquem o segredo de justiça".
"O isolamento prejudica a justiça", disse Aguiar-Branco, que já foi ministro da Justiça e é advogado de profissão, recordando que quando foi governante "quis criar uma sala de imprensa num dos principais tribunais do país", dando um sinal de "abrir a justiça à sociedade" e "normalizar a presença da imprensa no tribunal".
"Esta capacidade de comunicar torna-se ainda mais importante para o próprio mundo da justiça", num tempo em que os princípios do Estado de Direito "se encontram hoje fortemente ameaçados um pouco por outro lado", afirmou Aguiar-Branco.
"Faz parte deste mundo, da nossa ideia de estado de direito, de que os tribunais devem ser independentes", mas isso não é possível sem "garantir a independência do poder judicial" e das carreiras dos magistrados.
Num tempo onde a "ordem internacional e o primado do direito parecem estar a ceder ao primado da força", existem "sociedades mediatizadas", em que a "comunicação é imediata e permanente", com "constante prestação de contas" dos poderes públicos.
"Penso que a justiça não pode fugir" a esse fenómeno, avisou Aguiar-Branco.
"Sei que os tempos da justiça e dos media são diferentes e não se podem atropelar", mas "a justiça não pode confundir a independência dos tribunais com o seu isolamento".
Isto porque o isolamento retira à justiça "força e legitimidade junto dos cidadãos" e "não combate eficazmente o 'voyerismo' mediático", que "despreza a realidade dos factos", considerou.
"Quando não há canais de comunicação abertos abre-se espaço às fontes de comunicação anónimas", avisou, salientando que o "desafio da comunicação é central para o nosso tempo" e as "instituições que melhor comunicam são as que estão melhor preparadas para os desafios do futuro".
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