Primeiro-ministro responde a críticas: "Reformismo de boca têm muitos, ação não é para todos"

Luís Montenegro encerrou as jornadas parlamentares do PSP e admitiu que há militantes do partido avessos à mudança. Passos Coelho não repete comentários.

12 de março de 2026 às 01:30
Luís Montenegro nas jornadas parlamentares do PSD Foto: Hugo Delgado/Lusa
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O primeiro-ministro considerou, esta quarta-feira, que "reformismo de boca têm muitos, mas reformismo de ação, de crescimento, de ambição e de transformação não é para todos". Luís Montenegro encerrou as jornadas parlamentares do PSD e apontou o dedo aos que resistem a alterar o estado das coisas. Começou por atirar "nas oposições e nas corporações", onde vê “muita reivindicação de mudança e muito pouca coragem para mudar", mas também olhou para dentro.

“Temo-lo visto em muitos setores, até muito perto de nós, eventualmente até, dentro de nós”, reconheceu o chefe do Governo, admitindo que existem pessoas avessas a reformas no PSD e no Executivo. “Porque temos os nossos eleitores à perna, porque temos os nossos amigos à perna, porque temos até alguns familiares à perna”, justificou, lamentando que exista “muita gente que diz que é preciso fazer muitas transformações, desde que não seja na sua área de atividade”. “Àqueles que acham que nós lidamos mal com essa atenção, queiram perceber que nós percebemos isso. [...] Nós compreendemos, nós respeitamos, mas nós governamos”, sublinhou, terminando a intervenção desta forma.

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Ao mesmo tempo, numa conferência em Viseu, falava o antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, que tem exigido que Montenegro mexa já em questões estruturais. Esta quarta-feira, não se quis repetir: “Não posso andar permanentemente a fazer comentário”, afirmou. 

Lei laboral discutida na próxima semana com 66 normas acordadas

Montenegro disse que “ainda há alguns assuntos para limar” na revisão da legislação laboral e que, por isso, o Governo voltará a reunir-se com os parceiros, na segunda-feira. “Não queremos eternizar a discussão, mas também não queremos deixar de esgotar todas a possibilidades de aproximação”, afirmou, frisando que já houve consenso em 66 medidas. Acusou o Chega e a CGTP de estarem alinhados no objetivo de “rasgar” as normas. A central sindical pediu uma reunião com o Presidente da República sobre este tema.  

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Paulo Portas quer estabilidade

O antigo vice-primeiro-ministro Paulo Portas defendeu, na terça-feira à noite, que “a melhor coisa que Portugal pode fazer em nome dos seus interesses e dos portugueses é preservar a sua estabilidade”. “O Mundo está muito volátil, frequentemente perigoso, às vezes irracional e é motivo de muita preocupação”, disse o democrata-cristão, que liderou o CDS-PP e foi o número dois noGoverno de Passos, nas jornadas parlamentares do PSD.

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