Primeiros-ministros de Portugal e de Marrocos fecham sexta-feira parceria estratégica bilateral
Governos vão elevar o seu relacionamento ao nível de parceria estratégica.
Os primeiros-ministros de Portugal e Marrocos vão elevar as relações bilaterais políticas ao nível de parceria estratégica, decisão que sairá da cimeira de governos, na sexta-feira, em Lisboa, em que também serão assinados 13 acordos de cooperação.
António Costa e o seu homólogo marroquino, Aziz Akhannouch, presidem à XIV Reunião de Alto Nível Portugal-Marrocos, retomando as cimeiras ao nível de Governo que foram interrompidas por causa da pandemia da covid-19.
Fonte do executivo de Lisboa adiantou à agência Lusa que os dois governos vão elevar o seu relacionamento ao nível de parceria estratégica, "um novo patamar em que se reforça o diálogo político, passando a haver um contacto permanente em matérias de âmbito bilateral, regional e internacional".
No final da XIV Reunião de Alto Nível, os governos dos dois países preparam-se para assinar 13 instrumentos jurídicos, um deles um acordo de cooperação na área da proteção civil, abrangendo acidentes graves ou catástrofes.
Segundo fonte diplomática, os dois executivos também deverão fechar um memorando de investigação científica e tecnológica, assim como um programa de aplicação do acordo cultural e científico, que deverá vigorar até 2025.
Entre os 13 instrumentos jurídicos consta também um plano de ação no domínio do turismo.
Pela parte do Governo português, participam na XIV Reunião de Alto Nível com Marrocos os ministros dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, da Economia, António Costa Silva, do Ambiente, Duarte Cordeiro, da Ciência e Tecnologia, Elvira Fortunato, Adjunta e dos Assuntos Parlamentares, Ana Catarina Mendes, do Trabalho e Segurança Social, Ama Mendes Godinho, e das Infraestruturas, João Galamba.
Numa nota divulgada pelo gabinete do primeiro-ministro na passada segunda-feira, referia-se que "Portugal e Marrocos celebram em 2024 os 250 anos do Tratado de Paz e os 30 anos do Tratado de Amizade, Boa Vizinhança e Cooperação".
Já em relação à agenda desta cimeira de governos, o executivo de Lisboa salientava-se que o objetivo é impulsionar "uma parceria estratégica entre os dois países, cujos laços históricos se ligam a níveis sólidos de cooperação política, económica e cultural".
"Centrado nas áreas do conhecimento, coesão social e desenvolvimento económico, o encontro incidirá sobre temas como a interconexão elétrica e a mobilidade laboral. Serão ainda assinados vários instrumentos jurídicos de reforço do relacionamento bilateral e, no mesmo dia, realizar-se-á um fórum económico", acrescentava-se na mesma nota.
A última cimeira entre os governos de Portugal e de Marrocos teve lugar em dezembro de 2017, em Rabat, ocasião em que foram assinados 12 acordos de cooperação bilateral.
No final, o primeiro-ministro considerou que uma crescente proximidade e interdependência económica entre Portugal e Marrocos é um fator estratégico central para o futuro dos dois países, tanto no plano da segurança, como para as relações euro-africanas.
"Para Portugal, Marrocos é o país onde começa a África. Para Marrocos, Portugal é o país onde começa a Europa. A capital mais próxima de Lisboa é Rabat", disse, numa referência à proximidade geográfica dos dois países.
O primeiro-ministro referiu-se igualmente às perspetivas de arranque da construção de um cabo de ligação elétrica com 220 quilómetros entre Tavira e Tânger no primeiro semestre de 2018 - projeto nessa altura avaliado entre 500 e 700 milhões de euros. Esse projeto, porém, ainda não está concluído.
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