PS e PAN alertam para estado de degradação de lar de idosos no Funchal
Associação Living Care, responsável pela gestão do lar, refutou várias denúncias sobre condições deficientes, afirmando que "não correspondem à realidade".
As estruturas regionais do PS e do PAN na Madeira alertaram esta segunda-feira para o estado de degradação do Lar da Bela Visita, no Funchal, cuja gestão transitou da esfera pública para o setor privado em 2023.
Os partidos, ambos com representação no parlamento regional, visitaram esta segunda-feira, em horas distintas, o Lar da Bela Vista, gerido pela Associação Living Care, divulgando depois comunicados nos quais alertam para o estado de degradação da unidade, com capacidade para 180 utentes.
O PS, cuja visita ao lar foi promovida pelo grupo parlamentar, classifica o estado de degradação como "preocupante" e considera que as obras de remodelação entretanto previstas "pecam por tardias".
Citada no comunicado, a deputada Isabel Garcês diz ser "lamentável" que o Governo Regional (PSD) tenha deixado o edifício chegar um ponto de degradação tão acentuado, incluindo a caldeira, que está desativada, e sublinhou o facto de o PS ter requerido uma audição parlamentar para "aferir as condições da infraestrutura e dos cuidados prestados aos utentes".
O PS é o maior partido da oposição madeirense, com 11 deputados na Assembleia Legislativa regional, num total de 47.
O PAN, partido representado no parlamento regional apenas por uma deputada, alerta também para o "estado de degradação generalizada do edifício".
"O cenário encontrado foi alarmante e motivo de grande preocupação", refere o PAN em comunicado, sublinhando que "uma das situações mais chocantes foi o facto de os banhos serem dados com o uso de chaleiras, uma vez que algumas caldeiras existentes são antigas e estão inoperacionais".
O PAN diz ter sido informado acerca das obras de remodelação previstas, mas manifesta-se "profundamente chocado com o estado em que se encontra o Lar da Bela Vista".
"Os idosos que aqui vivem merecem ser tratados com dignidade e é inaceitável que tenham de passar por estas condições. Reconhecemos o trabalho árduo dos funcionários, mas não podemos deixar de questionar o Governo Regional: como é que se deixou esta situação chegar a este ponto?", lê-se na nota.
Em 19 de setembro, a Associação Living Care, responsável pela gestão do lar, refutou várias denúncias sobre condições deficientes, afirmando que "não correspondem à realidade", e classificou o seu plano de cuidados em saúde como "muito bem organizado e consistente".
"Aquele discurso que por aí vai passando, aqui ou acolá, mina a relação de confiança que nós conquistamos e que temos vindo a manter sempre com os utentes e com os familiares ou cuidadores responsáveis", disse na altura Luís Coelho, diretor-geral da Associação Living Care, em conferência de imprensa.
O responsável disse também que a Associação Living Care tinha avançado com um projeto de reabilitação, orçado em 20 milhões de euros, ao abrigo do Programa de Recuperação e Resiliência.
Por outro lado, em 16 de setembro, a comissão especializada de Inclusão Social e Juventude da Assembleia Legislativa da Madeira aprovou uma audição parlamentar à secretária regional de Inclusão e Juventude e à direção do Lar da Bela Vista, com base num requerimento apresentado pelo PS.
A audição à governante Ana Sousa e aos responsáveis do estabelecimento foi aprovada com os votos a favor de PS, JPP e PAN e contou com a abstenção do PSD, mas não está ainda agendada, sendo que o objetivo é abordar o acordo que existe com a Segurança Social e com a Associação Living Care.
O Lar da Bela Vista, situado na zona leste do Funchal, foi construído na década de 70 para ser uma unidade hoteleira, mas nunca funcionou como tal e acabou por ser adaptado para se tornar um lar de idosos com gestão pública.
Em julho de 2023, o Governo Regional transmitiu o imóvel e a sua gestão para a Associação Living Care.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt