PS Gaia também exige compensações durante construção da estação de alta velocidade
Socialistas pretendem que seja assinado um "contrato de minimização de impactos" relativos à movimentação de camiões na obra.
O PS/Gaia exigiu esta sexta-feira medidas de compensação pela construção da estação de alta velocidade em Santo Ovídio, como o financiamento dos acessos ao tabuleiro rodoviário da nova ponte sobre o Douro e um "contrato de minimização de impactos".
Num comunicado enviado à Lusa, a estrutura liderada pelo vereador João Paulo Correia refere que "pediu uma reunião urgente com o presidente da Câmara [Luís Filipe Menezes] para lhe apresentar as exigências que o Município deve apresentar ao Governo".
A primeira vinca que "Gaia tem de ter uma estação de alta velocidade, sob pena de tornar a ser um subúrbio do Porto", pedindo também o "financiamento do Governo dos acessos ao tabuleiro rodoviário" da nova ponte rodoferroviária sobre o rio Douro, a construir no âmbito da linha de alta velocidade Porto-Lisboa, cujo arranque foi assinalado na segunda-feira em Aveiro.
Os socialistas pretendem também que seja assinado entre o município, o Governo, a Infraestruturas de Portugal (IP) e a concessionária responsável pela construção da linha (AVAN) um "contrato de minimização de impactos" relativos à movimentação de camiões na obra, "limpeza e reposição de pavimento, limites de ruído e poeiras, monitorização independente e compensação a habitação e a atividades económicas", bem como um "plano de acessos de emergência ao Hospital de Gaia, acordado com a ULS Gaia/Espinho e com o INEM".
Quanto às infraestruturas e transportes, o PS/Gaia quer a "garantia do terminal intermodal" na zona da estação e "ligação direta entre a estação D. João II do Metro e a estação de alta velocidade", bem como a construção de um "túnel rodoviário entre a EN 222 e a Avenida da República, aproveitando a escavação da estação" e o "reforço do financiamento da oferta de transporte público durante os anos de obra".
Alguns destes temas constam também do comunicado que o presidente da Câmara, Luís Filipe Menezes (PSD/CDS-PP/IL), emitiu no dia 09 de outubro, tendo o Governo, dois dias depois, reafirmado que a estação de Gaia seria em Santo Ovídio.
No dia seguinte, em Aveiro o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, deu o projeto como "fechado" e salientou que "teve avaliação de impacto ambiental", dizendo que não há de momento "nada" que o leve a alterar a decisão da IP "e a adjudicação que foi feita".
Disse também que iria ouvir as preocupações de Menezes relativamente aos impactos da empreitada e depois "tomar decisões".
Na terça-feira, ao Observador, Luís Filipe Menezes disse não acreditar numa mudança do local da estação, admitindo que "seria hipócrita se dissesse que acreditava muito nisso" quando lançou o comunicado na sexta-feira anterior, reconhecendo que põe "a fasquia alta para avisar" e ganhar "um justo e legítimo espaço para exigir um conjunto de vias alternativas desde já construídas em simultâneo nos primeiros dois anos da obra, que evitem que o caos se instale".
No comunicado esta sexta-feira enviado à Lusa, o PS/Gaia lamenta que "entre a tomada de posse do atual executivo, a 04 de novembro de 2025, e o arranque das obras, a 12 de outubro de 2026, não se conheça uma única reunião entre o presidente da Câmara e o ministro das Infraestruturas sobre a passagem da alta velocidade em Gaia --- e que tenha sido preciso entrarem as máquinas para existir diálogo entre Governo e Câmara Municipal".
Na segunda-feira, o ministro disse que tem "falado muitas vezes" com Menezes, com quem disse ter agendada uma conversa.
Segundo o PS, durante o ano que passou "existiu a consulta pública do projeto de execução no outono de 2025, a decisão da Agência Portuguesa do Ambiente em dezembro de 2025 e a nova consulta pública de 08 a 29 de junho de 2026", lembrando ainda que "foi criado um grupo de trabalho em novembro de 2025, que prometia soluções no prazo máximo de mês e meio, e do qual não se conhece até hoje uma ata, um relatório ou uma conclusão".
"O Governo só tem criado indefinição na vida do concelho", critica o PS/Gaia.
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