PSD cita Centeno para criticar IVA zero, PS lembra que CDS defendeu a medida
Almiro Moreira perguntou ao PS se consegue "explicar o que para Mário Centeno é inexplicável", querendo saber o porquê da insistência dos socialistas em "repetir medidas populistas caras e pouco eficientes".
O PSD usou esta quinta-feira a posição do ex-ministro Mário Centeno para criticar o IVA zero no cabaz alimentar proposto pelo PS, tendo os socialistas lembrado que a mesma medida foi defendida no passado pelo parceiro de coligação CDS.
No debate no Parlamento, agendado pelo PS, sobre medidas para combater o aumento do custo de vida, a questão do IVA zero para o cabaz alimentar essencial, uma das recomendações que os socialistas inscrevem no seu projeto de resolução, marcou a discussão entre PSD e PS.
"[Mário Centeno] classificou a vossa medida como uma benesse inexplicável e que beneficia sobretudo os mais ricos, dando até o exemplo do queijo pecorino, e que não garante a descida efetiva dos preços. Vindo do professor Mário Centeno, que não é propriamente um amigo do Governo da AD, acho que deveria ser algo que vocês, do PS, deveriam mesmo dar essa atenção", sugeriu o deputado do PSD Almiro Moreira.
De acordo com o deputado social-democrata, os socialistas "não aprenderam nada" e, por isso, alegou, o antigo ministro das Finanças dos governos PS e antigo governador do Banco de Portugal "deu uma grande lição" ao PS nas jornadas parlamentares do partido.
"Pediu-vos paciência, alertou-vos que objetivos inalcançáveis criam distorções e aumentam os populismos e deixou-vos um aviso claro que eu tenho de citar aqui: 'Devemos resistir até ao limite à tentação de intervir diretamente nos preços porque isso redireciona artificialmente a procura'."
Almiro Moreira perguntou ao PS se consegue "explicar o que para Mário Centeno é inexplicável", querendo saber o porquê da insistência dos socialistas em "repetir medidas populistas caras e pouco eficientes".
Na resposta, o deputado do PS João Torres ironizou e pediu "alguma coordenação do lado dos partidos que suportam o Governo".
"Vou-lhe mostrar aqui uma imagem de um outdoor do CDS-PP. Consigo reconhecer o atual ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, que não apenas defendia o IVA zero, como esse cartaz era acompanhado com a seguinte pergunta: 'É básico, não é?'", disse.
João Torres pediu ainda que as palavras de Centeno "não sejam truncadas" e considerou um "desplante que uma bancada parlamentar que já destratou de forma inadmissível o professor Mário Centeno", agora o venha citar numa reunião do grupo parlamentar do Partido Socialista.
"O professor Mário Centeno não colocou em causa a eficácia da medida. Tenho aqui o boletim económico de outubro de 2023 do Banco de Portugal, onde aparecem dois gráficos muito relevantes. O primeiro tem a ver com a evolução da inflação dos bens alimentares em Portugal, em Espanha e no resto da Europa, quando foi implementado o IVA zero pelo anterior Governo", disse.
Já o presidente do Chega, André Ventura, que começou por voltar ao tema do pagamento de uma indemnização ao antigo primeiro-ministro José Sócrates, questionou, sobre o tema do debate, "o que é que mudou" no PS.
"O que o PS fez nos últimos dois anos foi votar nove vezes contra a descida do IVA no cabaz alimentar e contra a descida do IVA nos impostos sobre os combustíveis. E por isso eu queria perguntar-lhe francamente o que é que mudou?", questionou.
Na sua intervenção inicial, João Torres focou-se no aumento do custo de vida e alertou para as "escolhas impossíveis" que os portugueses têm de fazer, entre "abastecer o automóvel ou encher o frigorífico".
"Era nestes momentos que precisávamos de um Governo presente, que infelizmente não temos (...) O Governo encarou, desde o inicio, esta crise como uma oportunidade fiscal", criticou.
O deputado do PS apontou à AD "a matriz" de outros governos de direita que acusa de ter querido "ir além da troika" na crise financeira.
Para João Torres, o Governo é uma "equipa de braços cruzados", que "prontamente aponta culpas, mas nunca assume responsabilidades".
O socialista deixou ainda um apelo sobre os pensionistas, outra das recomendações do PS no seu projeto de resolução, para que não continuem a ter aumentos por "transferência pontual", mas sim com aumentos permanentes.
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