PSD diz que se Chega admite adiar discussão sobre revisão constitucional "é muito sensato"
Hugo Soares, líder parlamentar do PSD, começou por frisar que "a posição do PSD sobre revisão constitucional é conhecida de todo o país".
O líder parlamentar do PSD afirmou esta quinta-feira que se o Chega admite adiar a discussão da revisão constitucional é uma posição "muito sensata", sem responder se os sociais-democratas irão apresentar qualquer projeto nos próximos 30 dias.
Hugo Soares falava no parlamento sobre o fim das negociações, sem sucesso, na concertação social da legislação laboral, e foi questionado sobre o processo de revisão constitucional esta quinta-feira desencadeado pelo Chega, com a entrega de uma proposta que já consta na página da Assembleia da República.
O líder parlamentar do PSD começou por frisar que "a posição do PSD sobre revisão constitucional é conhecida de todo o país".
"O PSD não vê a Constituição como um dogma, a própria Constituição prevê a sua revisão e pode e deve ser discutida. Sempre dissemos que qualquer discussão à volta de uma revisão constitucional se devia fazer na segunda metade da legislatura, aqui repito o que foi a pronúncia do primeiro-ministro nessa matéria", afirmou.
Questionado se o PSD não irá então apresentar um projeto próprio nos próximos 30 dias, Hugo Soares não respondeu diretamente.
"Já disse tudo o que tinha a dizer sobre revisão constitucional, creio que fui absolutamente claro", afirmou.
De acordo com o regimento da Assembleia da República, após a apresentação do primeiro projeto, quaisquer outros têm de ser apresentados no prazo de 30 dias.
Perante a insistência dos jornalistas no tema, Hugo Soares disse não ter acompanhado a conferência de imprensa de André Ventura.
"Aparentemente, terá mostrado disponibilidade para adiar a discussão. Se o Chega entende que deve agora apresentar um projeto de revisão constitucional e está aberto ao calendário que o PSD definiu há muito tempo, parece-me muito sensato e não podia estar mais de acordo com a posição de discutir a revisão constitucional na segunda metade da legislatura", afirmou.
O presidente do Chega afirmou que o PSD "tem abertura" para participar no processo de revisão constitucional desta quinta-feira desencadeado e o seu partido "tem abertura para ser flexível na calendarização dos trabalhos".
André Ventura foi questionado como se poderá fazer esta flexibilização já que o regimento da Assembleia da República prevê que, após a apresentação do primeiro projeto, quaisquer outros tenham de ser apresentados no prazo de 30 dias.
"Terá que se encontrar alguma forma de suspender a determinado momento e aguardar as propostas que o PSD quiser apresentar", disse. "É provável que o acordo final desta revisão constitucional, se houver, pode chegar apenas em 2027, se não houver nenhuma turbulência", antecipou.
Questionado se há conversas com o PSD sobre esta matéria, Ventura respondeu que há conversas sobre "muitas coisas" e publicamente é conhecido quer o calendário do Chega, quer o do PSD, que tem remetido este tema para uma segunda fase da legislatura.
"Se apresentámos agora é porque achamos que há condições para uma calendarização conjunta (...) Espero que haja até final do ano um memorando de entendimento constitucional", disse. Sobre a forma prática como poderá fazer essa concertação, o líder do Chega admitiu uma figura como "uma suspensão extraordinária dos trabalhos" aprovada em plenário por PSD e Chega.
A deputada Cristina Rodrigues acrescentou que "o mais provável é que os trabalhos de revisão constitucional se iniciem apenas depois do verão", após as férias parlamentares, e nunca estariam concluídos até final do ano, dando a entender que isso poderia ir ao encontro do calendário do PSD.
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