Raimundo considera grave caso de Luís Neves e avisa que "há limites para a paciência"

Paulo Raimundo considerou que "o conjunto de questões que têm vindo a público" sobre o ministro da Administração Interna, Luís Neves, "precisam de uma explicação cabal".

22 de julho de 2026 às 19:41
Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP Foto: TIAGO CANHOTO /LUSA
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O secretário-geral do PCP considerou esta quarta-feira grave a polémica relacionada com os mandatos do ministro da Administração Interna, Luís Neves, à frente da Polícia Judiciária (PJ) e exigiu uma "explicação cabal", avisando que "há limites para a paciência".

Em declarações aos jornalistas após uma reunião com a Associação de Inquilinos Lisbonense (AIL), em Lisboa, Paulo Raimundo considerou que "o conjunto de questões que têm vindo a público" sobre o ministro da Administração Interna, Luís Neves, "precisam de uma explicação cabal" e que esses esclarecimento são "do interesse de todos".

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Raimundo avisou que "há limites para a paciência", recordando a polémica que envolve o ministro da Educação, Fernando Alexandre, em que o PCP foi "até ao limite", acabando por forçar o governante a dar explicações no Parlamento "quando ele não queria".

Em relação a Luís Neves, Raimundo admitiu que os comunistas já não têm à disposição instrumentos para forçar estes esclarecimentos, cabendo ao partido agora "exigir, do ponto de vista político, explicações".

Questionado sobre o Chega admitir avançar com uma comissão parlamentar de inquérito sobre esta matéria, Raimundo ironizou, considerando que a iniciativa ficou "um bocadinho aquém da expectativa" criada pelo partido liderado por André Ventura.

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"Estava à espera de uma coisa mais musculada. Ficou um bocadinho aquém. Deve ser por causa da 'silly season'", gracejou.

O secretário-geral do PCP classificou a situação como "um caso grave que se junta a outros casos graves", mencionado as polémicas que envolvem o ministro da Educação, Fernando Alexandre, devido aos exames, e o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, relacionadas com o licenciamento de um hotel em Cascais quando era vice-presidente do município.

Visou ainda nestas críticas a ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, por considerar "tão inevitável o pacote laboral como o sol nascer", e a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, que acusou de ter "compromissos profundos" com os que "fazem da doença um negócio".

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"No meio disto tudo, a coisa menos grave é o senhor primeiro-ministro decidir não ir de férias. Portanto, tudo o resto é tudo gravíssimo. Se vamos por aí, não sobrava ninguém", ironizou.

Questionado sobre se essa decisão de Luís Montenegro, Raimundo disse que era "só o que faltava" fazer leituras políticas e considerou que o chefe do Governo "encontrará certamente um momento para jogar o seu vólei em Espinho".

A polémica relacionada com o ministro da Administração Interna teve início no dia 10 de julho, quando o semanário Nascer do Sol noticiou que o ministro da Administração Interna contratou para remodelar um imóvel que detém em Odemira a empresa Construbarcelos, anteriormente responsável por obras na PJ, quando Luís Neves era diretor nacional.

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Segundo a publicação, entre 2020 e 2025, a empresa Construbarcelos recebeu cerca de 1,9 milhões de euros em contratos públicos, valor confirmado dias depois pelo ministro da Administração Interna, em entrevista à TVI/CNN.

Na passada sexta-feira, a Polícia Judiciária anunciou que abriu um inquérito sobre o atrelado apreendido num processo de tráfico de droga que foi encontrado atracado a um camião da empresa Construbarcelos, que fez obras numa propriedade do ministro da Administração Interna.

No mesmo dia, a PGR confirmou "a existência de um inquérito relacionado com bens apreendidos à ordem do processo designado 'Operação Pacoba'".

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Sobre o inquérito da PJ, a direção nacional desta polícia explicou, em comunicado, que "teve conhecimento de que uma galera apreendida, no âmbito de um inquérito relacionado com o tráfico de estupefacientes, havia sido movimentada e parqueada em Barcelos".

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