Recentes alterações ao Código do Trabalho dividem António Costa e Jerónimo
Primeiro frente a frente sem picardia. Prazo de contratos de trabalho foi o momento de maior divisão.
O primeiro frente a frente no caminho para as Legislativas, que opôs o líder do PS, António Costa, e o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, arrancou morno, evitando picardias, e de olhos postos em futuras conversas pós-eleitorais. Só as recentes alterações ao Código do Trabalho criaram maior divisão.
Num debate na SIC, Jerónimo de Sousa voltou a reconhecer que "é evidente que a conjuntura será diferente", pelo que um apoio ao PS será sempre com contornos diferentes daquele que deu origem à geringonça. E insistiu que socialistas e comunistas têm divergências de fundo, como é o caso da lei laboral. "É um exemplo da preocupação que é o perigo real de voltar para trás", frisou.
Jerónimo detalhou ainda que, com as mudanças introduzidas no Código do Trabalho – e que passaram no Parlamento com a abstenção do PSD e CDS – "o Governo colocou uma norma em que um jovem à procura do primeiro emprego pode ir rodando indefinidamente com um vínculo experimental".
Foi nesse momento que Costa ripostou para defender a postura dos socialistas, sublinhando que, "pela primeira vez, ser jovem deixa de ser fundamento para um contrato a prazo" e que haverá "uma penalização para as empresas que abusem" dos vínculos precários. "Os estágios passam a contar para o período experimental e o período experimental não pode existir num contrato a prazo, já é um elemento de um contrato definitivo", insistiu Costa.
Mas acabou por admitir não ter plano B caso o Constitucional dê razão a PCP e BE, que pediram a fiscalização de várias normas.
Sobre o salário mínimo nacional, o líder socialista defendeu que, além do vencimento mínimo, a concertação social deve discutir nos próximos quatro anos numa subida geral dos salários. Jerónimo fugiu ao tema e não insistiu na atualização para os 850 euros.
Quanto ao futuro, o líder comunista – com 72 anos – afirmou que os "camaradas" ainda o veem como parte da solução. E deixou um aviso: "A questão do secretário-geral não está posta, os apressados que tenham mais serenidade".
SAIBA MAIS
1983
foi o ano em que o PCP conseguiu o melhor resultado eleitoral em Legislativas: como parte da APU – Aliança Povo Unido, obteve 18,2% dos votos e 44 deputados eleitos. O PS teve o melhor resultado para a Assembleia da República em 2005: 45% dos votos e 121 deputados.
Solução inédita
Em 2015, o PSD de Passos Coelho e o CDS venceram as Legislativas, elegendo 107 deputados (89+18). Quem chegou ao poder foi o PS, após obter acordo escrito de PCP, BE e Verdes. Somaram 122 deputados: PS com 86 deputados, BE com 18, PCP com 15 e PEV com 2.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt