Regresso de Pedro Nuno deixa bancadas no Parlamento sem pessoas com deficiência
Lia Ferreira sai da bancada do PS e cidadãos com deficiência “deixaram de se sentir representados”.
O regresso de Pedro Nuno Santos ao lugar de deputado deixou a Assembleia da República sem pessoas com deficiência nas bancadas parlamentares. O ex-secretário-geral do PS retomou, na quarta-feira, o seu mandato, após seis meses de ausência, período em que foi substituído por Lia Ferreira.
“Apesar de saber que estão lá pessoas com sensibilidade, será sempre diferente para as pessoas com deficiência, que deixam de se sentir representadas e me têm estado a mandar mensagens a dizer isso mesmo”, reconheceu ao Correio da Manhã a agora ex-deputada, paraplégica, na sequência de acidente.
A arquiteta e investigadora na área defendeu que “ninguém melhor do que as pessoas com deficiência para falar sobre o que vivem as pessoas com deficiência”, considerando que “está na hora” de terem “espaço de fala com poder”.
“Somos mais de um milhão e meio de pessoas. Já chega de só aparecermos circunstancialmente. Deem-nos voz, chamem-nos. Só assim vamos transformar a sociedade”, afirmou ao CM Lia Ferreira, que sublinhou como, ao longo dos últimos 180 dias, foi “dando nota que seria importante que os diferentes grupos parlamentares tivessem pessoas com deficiência”. Esta necessidade nem sempre foi entendida. “Nem equacionam que exista um deputado com deficiência a falar sobre estas matérias. E há um universo de diferença entre ser sensível e viver a realidade diretamente”, frisou, destacando que investiga o assunto há mais de 20 anos.
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