Relvas/Público: Cavaco convencido que caso será esclarecido
O Presidente da República, Cavaco Silva, disse esta segunda-feira, em Singapura, estar convencido que o caso que envolve o ministro Miguel Relvas e o jornal Público "acabará por ser esclarecido com a devida transparência", escusando-a a fazer mais comentários.<br/>
"A mais de 15 mil quilómetros de distância, as polémicas que lá correm [em Portugal] chegaram aqui de forma imprecisa. Eu estou convencido de que tudo acabará por ser esclarecido e com a devida transparência, mas não devo acrescentar mais nada", afirmou Cavaco Silva, em declarações aos jornalistas, à margem de uma visita de Estado que está a realizar a Singapura.
Questionado sobre se considera que tem faltado transparência ao processo, o Presidente português reiterou que não deve acrescentar "mais nada sobre este assunto".
O caso começou dia 18 deste mês, quando o conselho de redacção do Público afirmou que o ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares tinha ameaçado queixar-se ao regulador do sector, promover um "blackout" de todos os ministros ao jornal diário e divulgar na Internet dados da vida privada de uma jornalista, se fosse publicada uma notícia sobre o caso das secretas.
A notícia pretendia evidenciar "as incongruências" das declarações do ministro no Parlamento, sobre o caso das secretas, mas acabou por não ser publicada.
Mais tarde, o Público noticiou que Miguel Relvas pedira, nesse dia, desculpa ao jornal, depois de a direcção ter feito um protesto por "uma pressão" do governante sobre a jornalista que acompanha o caso das secretas. O pedido de desculpas foi feito no mesmo dia em que o gabinete do ministro refutou a denúncia do conselho de redacção do Público.
Após as respectivas audições na Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), a 24 de Maio, o ministro reiterou não ter exercido qualquer pressão sobre a jornalista do Público, enquanto a directora do diário, Bárbara Reis, voltou a afirmar a existência de uma "pressão inaceitável".
O assunto está afora a ser investigado pela ERC, sendo que a decisão de levar o caso novamente ao Parlamento só será tomada depois da decisão da entidade reguladora.
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