Revitalização da Serra da Estrela é "promessa por cumprir há demasiado tempo", lembra António José Seguro

Chefe de Estado defendeu que a Serra da Estrela, "que é também um dos principais ativos desta região do interior de Portugal, merece mais do que promessas".

09 de agosto de 2026 às 13:53
António José Seguro Foto: Miguel Pereira da Silva/Lusa
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O Presidente da República lembrou este domingo que a revitalização do Parque Natural da Serra da Estrela é uma promessa que "se arrasta há demasiado tempo", desde o incêndio que em agosto de 2022 "durou mais de duas semanas".

"Quatro anos depois, essa promessa continua por cumprir. Quase nada foi investido dos 155 milhões de euros anunciados. Ora, quando se assinala meio século do Parque Natural da Serra da Estrela, em vez do passa-culpas, o que se exige são passos concretos para revitalizar e proteger este património natural", alertou António José Seguro.

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O Presidente da República chamou a atenção para o facto de ser "urgente evitar que as medidas propostas fiquem na gaveta, adiadas 'sine die'".

Na Guarda para as comemorações dos 150 anos da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Egitanienses, o chefe de Estado defendeu que a Serra da Estrela, "que é também um dos principais ativos da região do interior de Portugal, merece mais do que promessas".

Seguro reiterou que tem transmitido a necessidade de se melhorar "a prevenção e a capacidade de resposta" no combate aos incêndios.

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"O relatório da Comissão Técnica Independente, que avaliou os incêndios de agosto do ano passado e foi revelado há poucos dias, vai no mesmo sentido. E aponta algo ainda mais preocupante: muito ficou por fazer depois dos relatórios anteriores, dos incêndios de 2017. E essas falhas reduziram a nossa capacidade de resposta aos grandes incêndios do ano passado", disse.

Segundo o chefe de Estado, "as intempéries, as vagas de calor, os sismos, a frequência de incêndios devastadores, em Portugal e noutras geografias, clamam por uma ação atempada, mobilizadora e cientificamente fundamentada. E clamam por uma observação atenta da Presidência da República sobre a proteção e a segurança das comunidades, à qual tenho dedicado uma parte significativa do meu trabalho".

O chefe de Estado justificou a presença nas comemorações, no Largo Frei Pedro, onde fica a casa de Gerardo Batoréu, um dos fundadores da Associação Humanitária, como "um sinal de agradecimento e de reconhecimento" do espírito de missão.

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Invocou também outro motivo, "mais particular", e que remonta a uma promessa feita a , numa visita ao quartel dos voluntários guardenses.

"Além de bons bombeiros, revelaram-se também bons analistas políticos. Nessa altura [13 de dezembro, na campanha eleitoral] , convidaram-me para esta sessão solene. E anteciparam que eu já viria como Presidente da República. Aceitei o convite. E aqui estou a cumprir a promessa, e com todo o prazer".

Neste regresso à Guarda -- António José Seguro liderou a Federação do PS local e foi deputado por este círculo eleitoral, também evocou Carlos Dâmaso, presidente da Junta de Freguesia de Vila Franca do Deão, falecido a 15 de agosto de 2025, enquanto combatia um incêndio na sua freguesia.

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"Faleceu há precisamente um ano, quando defendia a sua aldeia de um incêndio. É um exemplo de que há pessoas capazes de arriscar a própria vida pela vida dos outros. Como, todos os dias, fazem os bombeiros de Portugal", realçou.

Já as Associações Humanitárias nasceram "da vontade do povo" e a sua existência prova que "se mantêm válidas as razões que estiveram na sua origem. A necessidade de resolver problemas perante a ausência de resposta do Estado".

"O termo humanitário não é apenas uma designação jurídica. É uma identidade. Significa colocar a pessoa humana no centro de toda a ação. Significa acudir sem perguntar quem é, de onde vem ou em que acredita. Significa servir, ajudar, socorrer".

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António José Seguro admitiu ainda que não há "discurso que pague o que fazem [os bombeiros]. Mas há uma coisa que Portugal vos deve sempre: memória, respeito e gratidão".

Na cerimónia, o Presidente da República distinguiu a Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários Egitanienses com o grau de Membro-Honorário da Ordem do Mérito, por ocasião das comemorações dos 150 anos da instituição.

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