Rui Tavares espera reflexão de Montenegro e vê "governabilidade em dúvida"
Para o porta-voz do Livre, o país "tem tido uma maioria de direita" a governar "mas que se trai mutuamente".
O porta-voz do Livre desafiou esta sexta-feira o primeiro-ministro a fazer "uma reflexão" acerca da sua postura perante o país e o parlamento, após o chumbo do pacote laboral, e disse ver a "governabilidade em dúvida".
Após uma audiência com o Presidente da República, António José Seguro, no Palácio de Belém, pedida pelo Livre a propósito do processo de revisão constitucional proposto pelo Chega, Rui Tavares foi questionado sobre se considera que esta revisão pode não avançar depois de o PSD e o partido liderado por André Ventura não terem chegado a acordo sobre o pacote laboral, o que ditou o seu chumbo na generalidade.
Para o porta-voz do Livre, o país "tem tido uma maioria de direita" a governar "mas que se trai mutuamente".
"Por acaso no meio dessas traições salvaram-se os trabalhadores portugueses de boa. Para Portugal, para a nossa política, o que nós vemos é que a situação, a governabilidade fica em dúvida. Mas, enfim, nós alertámos o senhor primeiro-ministro para isto", lembrou Tavares.
Acompanhado pela líder parlamentar e também porta-voz do partido, Isabel Mendes Lopes, e o deputado Paulo Muacho, Tavares acusou o primeiro-ministro de ter tentado governar com "uma direita radicalizada e cruel".
"Acreditou nela, andou este tempo todo a namorá-la, até ao momento em que acabou da maneira que acabou. Espero que o Sr. Primeiro-Ministro, enquanto líder do PSD, uma vez que vai ter um congresso do seu partido este fim de semana, faça a devida reflexão e se apresente ao país de outra forma", desafiou.
Interrogado sobre se defende a demissão da ministra do Trabalho, Maria Rosário da Palma Ramalho, Rui Tavares respondeu que "não é o seu estilo" fazê-lo, mas lembrou que a governante se apresentou no parlamento na quinta-feira, para o debate sobre a proposta, a "contar com uma vitória no papo".
Na ótica de Rui Tavares, "o primeiro-ministro tem que fazer uma total revisão da sua atitude perante o parlamento", acusando o executivo minoritário de arrogância.
"Criticámos António Costa por isso. O que nos parece estranho é que Luís Montenegro tem a mesma arrogância, mas não tem a maioria absoluta para acompanhar", argumentou.
O porta-voz do Livre apontou ingenuidade ao chefe do executivo se pensa que tem uma maioria absoluta com a bancada do Chega, afirmando que não conhece "nenhum português que confiasse em André Ventura".
A proposta do Governo para rever a legislação laboral foi esta sexta-feira chumbada, na generalidade, com os votos contra do Chega e da esquerda parlamentar, após o partido de André Ventura não ter alcançado um acordo com o PSD.
O texto contou apenas com os votos a favor dos partidos que suportam o Governo (PSD-CDS-PP) e da IL. PS, Livre, PCP, BE, PAN e JPP juntaram-se no voto contra à bancada do Chega.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt