Sebastião Bugalho, fenómeno do vídeo curto com eco em meios nacionalistas e de extrema-direita

Cabeça de lista da AD às europeias era dos comentadores mais facilmente associados pelo público a uma tendência política.

02 de maio de 2024 às 19:54
Sebastião Bugalho Foto: Paulo Novais/Lusa
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O cabeça de lista da Aliança Democrática (AD) às eleições europeias, Sebastião Bugalho, tornou-se um fenómeno do vídeo curto nos últimos meses, no papel de comentador televisivo.

Três dos seis vídeos de opinião política com mais de um milhão de visualizações publicados na conta de Instagram da SIC Notícias são protagonizados pelo conservador de direita, contabilizou o jornal Expresso. Outros seis vídeos ultrapassam o meio milhão de visualizações, números muito acima da média dos conteúdos do canal e dos restantes órgãos de comunicação social.

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Na plataforma de vídeos curtos TikTok, o fenómeno repete-se e só o próprio diretor de informação do grupo Impresa, Ricardo Costa, é capaz de rivalizar com Sebastião Bugalho. 

O presidente do PSD, Luís Montenegro, justificou a escolha com a notoriedade do ex-jornalista. "Um jovem talentoso, um jovem que o País conhece, aqui e ali até polémico, que afronta, é disruptivo, estimula a confrontação com respeito democrático", afirmou a 22 de abril sobre o cabeça de lista da AD. 

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O estilo confrontacional de Sebastião Bugalho no comentário político recolheu simpatias de um público mais próximo do Chega. Os vídeos curtos eram partilhados em contas conotadas com tendências nacionalistas e de extrema-direita, sobretudo no Youtube, algumas com referências explícitas de apoio ao partido presidido por André Ventura. 

A notoriedade do ex-jornalista não é, em termos absolutos, tangível, mas um relatório de 2023 do MediaLab do ISCTE colocou-o entre os comentadores mais facilmente associados pelo público a um partido (o CDS-PP) e a uma tendência (a direita), relatou a revista Sábado.

O percurso político do cabeça de lista da AD cinge-se a uma candidatura em lugar não elegível na lista dos centristas por Lisboa nas eleições legislativas de 2019. Instado a substituir no Parlamento a deputada Ana Rita Bessa em 2021, recusou o convite do CDS-PP por "circunstâncias políticas e razões profissionais". 

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No primeiro discurso enquanto cabeça de lista da AD às eleições europeias, respondeu às críticas aos seus 28 anos. "O primeiro-ministro francês tem 34 anos. Eu sou só candidato ao Parlamento Europeu", ironizou no domingo. 

Nos estúdios de televisão ou na imprensa escrita, centrava o comentário na tática política e raramente expressava o pensamento sobre políticas públicas ou o futuro da Europa, segundo o levantamento da revista Sábado. 

Mas na apresentação da candidatura às eleições europeias, o jovem conservador de direita elencou as prioridades do programa da AD. "Temos de ganhar escala enquanto continente na Defesa, inovação e produtividade", enumerou. 

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Em Portugal, as eleições europeias realizam-se a 9 de junho.

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