Seguro "surpreendido" por Passos continuar a rejeitar mais um ano de ajustamento
O secretário-geral do PS afirmou estar surpreendido por o primeiro-ministro continuar a rejeitar prolongar o processo de ajustamento financeiro do país por mais um ano face aos mais recentes resultados da execução orçamental.
António José Seguro falava aos jornalistas após ser confrontado com a declaração do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, de que foi o anterior Governo socialista que negociou com a 'troika' (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Europeu) três anos de ajustamento, quando deveria ter sido quatro.
Interrogado se ficou surpreendido com este dado, Seguro deu a seguinte resposta: " Não fiquei surpreendido com isso, porque a declaração é pública".
"Fiquei surpreendido que o primeiro-ministro não o faça agora [quatro e não três anos de ajustamento] quando as circunstâncias o exigem", disse.
Questionado se foi ou não o anterior executivo socialista quem negociou um ajustamento mais rápido, de três anos, o secretário-geral do PS contrapôs que os portugueses "exigem uma coisa aos políticos e uma coisa em particular ao Governo".
"Exigem que encontrem soluções, que aliviem os pesados sacrifícios exigidos aos portugueses. Na Europa e em Portugal há cada vez mais vozes que defendem mais tempo para uma boa consolidação das contas públicas - e eu fui a primeira voz que defendeu isso em Portugal, logo no final de Outubro", sustentou.
Na perspectiva do líder socialista, o primeiro-ministro "continua teimosamente a não reconhecer, mas mais cedo ou mais tarde isso vai acontecer, porque tudo foi sacrificado ao objectivo de cumprir o défice este ano e os dados da execução orçamental de maio mostram que esse objectivo está em risco".
"A manter-se esta trajectória estão em causa dois mil milhões de euros. É muito dinheiro", comentou o secretário-geral do PS.
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