Sobe confiança no Governo
José Sócrates está a recuperar de forma gradual a confiança dos portugueses. De acordo com uma sondagem Correio da Manhã/Aximage, 53,1% dos inquiridos consideram que o Governo está a governar melhor (14,9%) ou igual (38,2%) ao que esperavam. Em contraste, o PSD tem vindo a ganhar terreno ao PS. Em Fevereiro, apenas 3,4 pontos percentuais separavam os dois partidos.
O resultado da sondagem, realizada do dia 1 a 3 deste mês, demonstra que a expectativa em relação à actuação do Governo tem vindo a melhorar consistentemente desde Outubro do ano passado, altura em que apenas 9,7% dos inquiridos declararam que o Governo estava a actuar melhor do que esperavam. Volvidos quatro meses, esse valor subiu para 14,9 %, o mais alto desde Junho de 2005 (13,6%).
O maior salto positivo quanto à actuação do Governo deu-se entre Janeiro e Fevereiro deste ano, passando de 11,6% para 14,9% (mais 3,3 pontos ). Trata-se de um período de tempo que coincide com a apresentação, por parte do Governo, do Plano Tecnológico, a aprovação do acordo na Autoeuropa, a eleição de Cavaco Silva para Presidente da República e a vinda do presidente da Microsoft, Bill Gates, a Portugal. Estes factores, aliados a outras intenções de investimento estrangeiro já anunciadas, terão sido decisivos para uma mudança na expectativa dos portugueses sobre o desempenho do Governo.
PSD A SUBIR
Relativamente à intenção de voto nos partidos, a sondagem mostra que o PSD está a aproximar-se gradualmente do PS, que se mantém à frente com 37,9%, contra 34,5% dos sociais-democratas (mais 3,4%).
Em Junho do ano passado, o PS obteve 45,7% das intenções de voto, contra 26,0% no PSD. A diferença entre os dois partidos era então de 19,7 pontos percentuais.
O Bloco de Esquerda (BE) foi a força política que mais caiu entre Janeiro e Fevereiro (de 8,2 para 7,3%), logo seguido da CDU, que passou de 7,1 para 6,9%. Este resultado poderá estar influenciado pelo fraco desempenho do líder do BE nas eleições presidenciais.
O CDS-PP, que apoiou Cavaco Silva, recuperou ligeiramente, de 4,2 em Janeiro para 4,4% em Fevereiro. Continua, no entanto, ainda longe do resultado obtido nas Legislativas de Fevereiro de 2005 (7,3%).
SOARES TEM MAIS APREÇO QUE VOTOS
Só metade dos que consideram Mário Soares como o político mais importante do pós-25 de Abril votou nele nas presidenciais de acordo com a sondagem CM/Aximage que aponta ainda as curiosidades de a maioria dos admiradores de Sá Carneiro se inclinar para Garcia Pereira, enquanto quem prefere Guterres e Sócrates votou mais Jerónimo e os que gostam de Sampaio elegeram Manuel Alegre. Largamente dominantes, os admiradores de Mário Soares (24,9%) e Cavaco Silva (21,7%) valem só por si dois terços das opiniões expressas. Nas presidencial os entusiastas de Soares repartiram-se pelo próprio (51,7%), seguindo-se Alegre (36,4), Louçã (20,8), Cavaco (15,9) e Jerónimo (6,4).
NOTA DE LOUÇÃ CHEGA AOS 18
Nas notas aos líderes partidários quase não houve alterações em relação a Janeiro, com Louçã e Jerónimo de Sousa liderar com 11,9 e 11,1. Abaixo de 10, Sócrates regista a melhor nota desde o Verão, quando caiu quase dois pontos de 10,7 para 8,8. Na desdobragem por opções eleitorais, os votantes do PS dão melhor nota a Louçã (13,8) do que ao seu líder (12,8). Satisfeitos estão os votantes PSD que acham Marques Mendes (11,6) melhor que qualquer dos outros e os bloquistas que põem Louçã (18,1) muito à frente de Jerónimo (10,4).
POPULARIDADE DOS MINISTROS (NOTAS DE 0 A 20)
MINISTRO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS: DIOGO FREITAS DO AMARAL
- 11,2 (Janeiro) / 11,1 (Fevereiro).
MINISTRO DA CIÊNCIA, TECNOLOGIA E ENSINO SUPERIOR: MARIANO GAGO
- 10,1 (Janeiro) / 10,3 (Fevereiro).
MINISTRO DAS FINANÇAS E ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA: TEIXEIRA DOS SANTOS
- 9,8 (Janeiro) / 10,1 (Fevereiro).
MINISTRO DA DEFESA NACIONAL: LUÍS AMADO
- 10,1 (Janeiro) / 10,1 (Fevereiro).
MINISTRO DA ADMINISTRAÇÃO INTERNA: ANTÓNIO COSTA
- 10,2 (Janeiro) / 10,0 (Fevereiro).
MINISTRO DOS ASSUNTOS PARLAMENTARES: AUGUSTO SANTOS SILVA
- 10,0 (Janeiro) / 10,0 (Fevereiro).
MINISTRO DA ECONOMIA E INOVAÇÃO: MANUEL PINHO
- 9,6 (Janeiro) / 10,0 (Fevereiro).
MINISTRO DA PRESIDÊNCIA E CONSELHO DE MINISTROS: PEDRO SILVA PEREIRA
- 10,0 (Janeiro) / 10,0 (Fevereiro).
MINISTRO DO AMBIENTE E ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO: FRANCISCO NUNES CORREIA
- 10,0 (Janeiro) / 10,0 (Fevereiro).
MINISTRO DA SAÚDE: ANTÓNIO CORREIA DE CAMPOS
- 10,3 (Janeiro) / 9,9 (Fevereiro).
MINISTRO DA JUSTIÇA: ALBERTO COSTA
- 9,9 (Janeiro) / 9,8 (Fevereiro).
MINISTRA DA CULTURA: ISABEL PIRES DE LIMA
- 9,9 (Janeiro) / 9,8 (Fevereiro).
MINISTRO DO TRABALHO E SOLIDARIEDADE SOCIAL: JOSÉ VIEIRA DA SILVA
- 9,6 (Janeiro) / 9,8 (Fevereiro).
MINISTRO DAS OBRAS PÚBLICAS E TRANSPORTES: MÁRIO LINO
- 9,9 (Janeiro) / 9,8 (Fevereiro).
MINISTRO DA AGRICULTURA E PESCAS: JAIME SILVA
- 9,6 (Janeiro) / 9,6 (Fevereiro).
MINISTRA DA EDUCAÇÃO: MARIA DE LURDES RODRIGUES
- 9,7 (Janeiro) / 9,6 (Fevereiro).
SONDAGEM CM: QUAL O POLÍTICO A QUEM PORTUGAL MAIS DEVE?
- Mário Soares: 24,9%.
- Cavaco Silva: 21,7%.
- Sá Carneiro: 8,1%.
- Álvaro Cunha: 5,6%.
- Ramalho Eanes: 2,3%.
- António Guterres: 2,1%.
- Vasco Gonçalves: 1,5%.
- Jorge Sampaio: 1,5%.
- José Sócrates: 1%.
- Freitas do Amaral: 0,1%.
- Otelo Saraiva de Carvalho: 01%.
- Sem opinião: 31,1%.
FICHA TÉCNICA DA SONDAGEM
OBJECTIVO: Eleições Legislativas; Líderes; Ministros; Governo; Político a quem Portugal mais deve.
UNIVERSO: Eleitores residentes em Portugal em lares com telefone fixo.
AMOSTRA: Aleatória estratificada por região, sexo, idade, actividade, instrução e voto legislativo, polietápica e representativa do universo, com 550 entrevistas telefónicas (301 a mulheres).
COMPOSIÇÃO: A proporcionalidade pela variável estratificação é obtida com reequilibragem amostral.
RESPOSTAS: Taxa de resposta de 82,7 %. Desvio padrão máximo de 0,021.
REALIZAÇÃO: 1 a 3 de Fevereiro de 2006, para o Correio da Manhã pela Aximage, com a direcção técnica de Jorge Sá.
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