TORRES PÕE EM CAUSA HONESTIDADE DA JUÍZA
Acarta que Ferreira Torres afirma ter recebido e que o fez desconfiar da parcialidade da juíza que recentemente o condenou a três anos de prisão com pena suspensa e perda de mandato levanta apenas um conjunto de insinuações, relatando que o marido da magistrada, Pedro Barros, tem interesses políticos e comerciais em Amarante - alguns deles em parceria com o presidente da Câmara local - o que teria levado a mulher, a juíza Paz Dias, a não ser objectiva na sua decisão e a prejudicar gravemente a já anunciada candidatura de Ferreira Torres àquele concelho.
Ferreira Torres terá recebido um extenso 'dossier' onde são pormenorizadas as relações de Pedro Barros com o presidente de Amarante Armindo Abreu, ambos administradores da ADREDT, Agência de Desenvolvimento Regional do Entre Douro e Tâmega, entidade que comprou a massa falida da Tabopan num processo muito polémico que durante mais de uma dúzia de anos se arrastou pelos tribunais.
O CM sabe, todavia, que todos estes elementos eram já do conhecimento do presidente da Câmara do Marco de Canaveses, mesmo antes de o seu julgamento se iniciar e que foi o acórdão proferido pela juíza Paz Dias que o terá levado a afirmar aos apoiantes, reunidos por presidente de junta, que o aguardavam no regresso da viagem aos Estados Unidos que a "sentença estava pré-concebida" e que é "mais sério do que as pessoas que me julgaram".
UM ROL DE INSINUAÇÕES
Na missiva que Ferreira Torres diz ter recebido, insinua-se sobre a pouca transparência da compra da massa falida da Tabopan - o CM recorda que o primeiro liquidatário da massa falida chegou a ser detido no âmbito de um processo que nestas páginas demos conta e que envolveu outros liquidatários do Porto e do Norte -, e afirma-se que os interesses de Pedro Barros e do presidente de Amarante seriam prejudicados com uma eventual eleição de Torres à liderança da autarquia amarantina. E sugere-se com maior ou menor subtileza que a tentativa de "queimar" politicamente o actual autarca de Marco de Canaveses pesou na apreciação da decisão da juíza que recentemente o condenou por peculato.
O CM tentou ontem chegar à fala com a juíza Paula Paz Dias, no Tribunal de Círculo de Penafiel, mas a sua presença numa das comarcas inviabilizou o contacto.
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