Uma exigência surpresa e um consenso adiado: O impasse nas negociações sobre o futuro de António Costa
Socialistas recusam repartir os mandatos do presidente do Conselho Europeu.
As negociações sobre os cargos de topo da União Europeia (UE) terminaram sem acordo na cimeira informal em Bruxelas, na segunda-feira.
Os líderes europeus não querem prolongar o impasse para lá deste mês, estando prevista uma nova reunião para 27 e 28 de junho, segundo o jornal Politico.
O Partido Popular Europeu (PPE) propôs aos Socialistas e Democratas (SD) a repartição de mandatos na presidência do Conselho Europeu nos próximos cinco anos.
A proposta de entregar um mandato de dois anos e meio a um candidato socialista e outro mandato de igual duração a um candidato do PPE surpreendeu os SD.
O segundo maior partido do Parlamento Europeu não está disposto a abdicar de ocupar a presidência do Conselho Europeu e António Costa continua a ser o favorito a assumir o cargo.
O ex-primeiro-ministro recolhe o apoio dos chefes de governo de Espanha, Alemanha e Eslovénia, e mantém uma boa relação com o presidente francês, Émmanuel Macron.
A primeira-ministra dinamarquesa, a socialista Mette Frederiksen, já se autoexcluiu da corrida, abrindo caminho para António Costa. "Eu não sou candidata", disse à Euronews à entrada para a cimeira informal europeia.A ideia da repartição de mandatos no Conselho Europeu partiu do primeiro-ministro croata, Andrej Plenkovic, numa reunião interna do PPE. "Como claro vencedor das eleições europeias, o PPE deve liderar politicamente a UE", reafirmou o político na segunda-feira, na rede social X.
Já o ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Antonio Tajani, disse existirem dúvidas no PPE sobre a firmeza de António Costa na abordagem ao conflito na Ucrânia.
Outros cargos
O consenso em torno de um segundo mandato de Ursula von der Leyen na presidência da Comissão Europeia também não se efetivou nas negociações informais de segunda-feira.
A alemã participou nas primeiras conversas informais com os líderes europeus, mas ausentou-se antes do jantar dos representantes dos partidos.
A maltesa Roberta Metsola continua bem posicionada para assumir um segundo mandato na presidência do Parlamento Europeu e a primeira-ministra da Estónia, Kaja Kallas, está próxima de ser nomeada alta representante da UE e chefe da política externa.
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