Venda dos Miró começou no Governo de Sócrates
Contactos com as casas de leilões terão começado em 2008.
A venda dos quadros de Miró que pertenciam ao BPN começou a ser negociada um mês após a nacionalização do banco, em 2008, no Governo de José Sócrates, avança o semanário ‘Expresso’. De acordo com o mesmo jornal, o então ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, terá autorizado que a administração avançasse com a venda das obras.
Os contactos com as casas de leilões terão começado em 2008. O ‘Expresso’ chega mesmo a revelar o conteúdo de email's trocados entre administradores do BPN e as leiloeiras, indicando que as negociações estavam praticamente terminadas.
EX-MINISTRO DAS FINANÇAS DIZ QUE NUNCA DEU ORIENTAÇÕES QUANTO À VENDA DA COLEÇÃO MIRÓ
O ex-ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, disse este sábado que nunca deu orientação quanto à venda dos quadros de Miró e que a coleção podia ter sido usada "como dação em pagamento da dívida" para a Caixa Geral de Depósitos.
"Nunca dei qualquer orientação. Ou eu, ou que eu saiba qualquer outro membro do Governo ou do Ministério, qualquer orientação de venda [da coleção de quadros de Miró]. Nem sequer fomos interpelados no sentido de nos pronunciarmos num cenário de venda. Nem fomos interpelados no sentido de dizer se deviam ser vendidos ou não", disse Teixeira dos Santos.
O ex-ministro do Governo socialista de José Sócrates falava aos jornalistas à entrada para o debate ‘Consolidação Orçamental e Crescimento Económico’, promovido pela Distrital PS Porto, que se realiza esta manhã, nesta cidade.
"O dizer que é preciso vender os quadros porque é preciso pagar uma dívida à Caixa Geral de Depósitos, essa é uma opção sem dúvida. Mas se por ventura da análise que fosse feita por alguém que fosse mais conhecedor do que eu do interesse dos quadros, creio que o facto de ter de se pagar uma dívida à Caixa Geral de Depósitos não seria impeditivo disso", referiu Teixeira dos Santos.
O ex-ministro das Finanças considerou mesmo que esta instituição bancária até poderia utilizar a coleção como "dação em pagamento da dívida".
"A própria Caixa Geral de Depósitos poderia aceitar os quadros como dação em pagamento da dívida ou do peso da dívida existente", referiu o ex-ministro das Finanças. Nem sequer o assunto foi tratado. Creio que nem se deram ao trabalho de ver qual era o interesse artístico e económico da coleção", acrescentou o ex-ministro das Finanças.
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