Ventura acusa Bruxelas de ser "símbolo de censura" e destaca papel do Chega no combate à imigração
André Ventura discursou este sábado na Conferência de Ação Política Conservadora em Budapeste.
O presidente do Chega, André Ventura, acusou este sábado Bruxelas de ser "símbolo de censura e ditadura" e salientou o papel do seu partido no combate à imigração ilegal em Portugal.
André Ventura discursou este sábado na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), que decorre em Budapeste pela quinta vez.
Numa intervenção de cerca de 15 minutos, em inglês, o líder do Chega agradeceu ao primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, por ser "um símbolo de resistência" à liberdade na Europa, que considerou estar a ser atacada pelas instituições europeias.
“Bruxelas não está a ser a luz da liberdade agora, Bruxelas agora é um símbolo de censura e ditadura (…) Nós queremos uma Europa grande de novo, mas Bruxelas está a lutar contra a Europa e contra a soberania europeia”, acusou.
Como exemplo, referiu-se à lei dos serviços digitais como uma forma de “limitar a liberdade de expressão e implementar a censura nas redes sociais” e criticou a ameaça comunitária de corte de fundos a países como a Hungria.
“Se temos que escolher entre o dinheiro de Bruxelas e a nossa consciência e a nossa liberdade e os nossos valores, eu proponho que lutemos pelos nossos valores, pelas nossas liberdades e que derrotemos a Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e todos os poderes europeus”, apelou.
No seu discurso, Ventura afirmou que, percentualmente, Portugal foi o país “que mais imigrantes recebeu nos últimos dez anos na Europa”, dizendo aos participantes na conferência que, se visitarem Lisboa, provavelmente não reconhecerão a cidade, porque parecerá que estão “no Paquistão, na Arábia Saudita ou em Marrocos”.
“Nós nunca fomos contra a imigração, mas não podemos aceitar que essa imigração destrua a identidade da Europa. Então nós propusemos e o Governo aceitou: todos aqueles que vêm ilegalmente para a Europa devem saber que nós vamos enviá-los de volta para os seus países, porque eles não pertencem à Europa”, disse.
Na quinta-feira, o Governo aprovou em Conselho de Ministros a versão final da lei de retorno de imigrantes em situação ilegal, que pretende acelerar prazos de expulsão e admite detenções mais longas, um diploma que ainda terá de ser votado no parlamento.
Ventura deixou ainda dois outros exemplos de medidas aprovadas em Portugal por iniciativa do Chega: a proibição das burcas no espaço público (diploma aprovado na generalidade em outubro com votos a favor de PSD, CDS-PP e IL) ou a alteração da lei sobre identidade de género, que retoma a obrigação de validação médica para a mudança de nome e género no registo civil, e apenas para maiores de 18 anos (diplomas do Chega, PSD e CDS aprovados na generalidade na sexta-feira).
“Nós conseguimos fazer isso, passo a passo. Não num momento, não tudo no mesmo dia, não tudo no mesmo mês, mas nós conseguimos. Nós estamos em processo de transformação na Europa”, salientou.
Ventura realçou que, em Portugal, o Chega já é o segundo maior partido (em número de deputados), algo que parecia “impossível há 10 ou 15 anos”, e ele próprio conseguiu 33% dos votos na recente eleição presidencial na segunda volta contra António José Seguro.
No final da sua intervenção, retribuiu a saudação de Órban – que comparou Ventura e Chega a “uma primavera” em Portugal -, com uma expressão húngara.
“A vitória será nossa. Têm de acreditar nisso, esta luta será difícil, mas no final vamos derrotá-los”, disse, numa intervenção em que deixou saudações especiais ao Presidente da Argentina, o “grande amigo” Javier Millei, ao Presidente do Chile, José Antonio Kast, e ao ex-Presidente do Brasil Jair Bolsonaro.
A CPAC realiza-se pela quinta vez em Budapeste, com quase 700 participantes de 51 países, entre os quais o Presidente argentino, Javier Milei, o presidente do partido de extrema-direita espanhol Vox, Santiago Abascal, ou a líder do partido de extrema-direita alemão Alternativa para a Alemanha (AfD), Alice Weidel.
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