Ventura acusa Governo de fracasso e Montenegro chama-lhe "o chegano mais socialista"
Troca de acusações aconteceu durante o debate quinzenal que decorre esta tarde na Assembleia da República.
O líder do Chega considerou esta quarta-feira que todos os planos estruturais que o Governo apresentou "foram um fracasso", com o primeiro-ministro a acusar André Ventura de não ter características para governar e de ser "o chegano mais socialista".
Esta troca de acusações aconteceu durante o debate quinzenal que decorre esta tarde na Assembleia da República.
Na primeira interpelação do debate, o presidente do Chega criticou as medidas anunciadas pelo Governo na sequência das tempestades que afetaram o país no início do ano e defendeu que o executivo "deve pelo menos pagar o que promete", indicando que "20 mil pessoas continuam sem comunicações", "70% dos apoios aos agricultores" não foram pagos, e "dois terços dos apoios que tinham sido prometidos na sequência destas tempestades ficaram ainda por pagar".
"A solução foi mais endividamento e façam seguros", criticou, afirmando que "o Governo não serve para muito, basta a asseguradora".
Ventura sugeriu depois que o Governo poderia ser substituído por uma companhia de seguros: "Não queremos um Governo, queremos uma companhia de seguros. Saiam todos e metam aí a Fidelidade, se calhar fará melhor que vocês, porque se calhar resolverá melhor os assuntos dos portugueses".
André Ventura defendeu também que "todos os planos que apresentou estruturais até hoje foram um fracasso", referindo a saúde e a habitação, além do PTRR, que classificou como "uma fraude política".
Na resposta, o primeiro-ministro acusou o líder do Chega de não possuir "características para ter responsabilidades governativas" porque "não gosta de planear, não gosta de ponderar e de decidir com base em critério, é mais do estilo dispara primeiro e vai pensar a seguir".
"Esse princípio nenhuma companhia de seguros faz também, mesmo que o senhor deputado quisesse transformar o Governo numa companhia de seguros, o que diz também muito sobre aquilo que é a sua conceção do exercício da governação", salientou.
Luís Montenegro acusou André Ventura de querer "dar indiscriminadamente" e indicou que esse não é o princípio do Governo, que quer disponibilizar apoios mas com "critério e rigor".
"Esse não é o tempo deste governo, e aí é que o senhor deputado faz uma santa aliança com o PS. Com esse discurso, arrisca-se mesmo a ser o chegano mais socialista", acusou o líder do Governo, considerando que André Ventura "não é credível".
O líder do executivo acusou ainda Ventura de não ter estudado as medidas do Governo e esclareceu que a "linha da tesouraria é, precisamente, para antecipar a receita às empresas que estão à espera dos seguros" e defendeu que a moratória "que vai agora ser estendida mais 12 meses é uma solução para dar às empresas a capacidade de ultrapassarem a situação".
Luís Montenegro desafiou ainda o líder do Chega a indicar quais são as suas propostas para ajudar as famílias e as empresas em vez de "apenas atirar fogacho para o ar, disparar para todo lado e no fim do dia não saber, ou saber bem, que a consequência disso seria mais uma vez o desequilíbrio, pago pelas pessoas e pelas empresas".
O primeiro-ministro anunciou também que "das mais de 8.400 candidaturas que houve às linhas de crédito das empresas, já estão em operação mais de 7.700" e "das 35.000 candidaturas que foram apresentadas no âmbito das recuperações das habitações, há já cerca de 7.000 que foram aprovadas".
Montenegro referiu igualmente que o dinheiro relativo ao apoio à reconstrução das habitações "está disponível nas Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional", mas ainda não chegou às pessoas "porque os respetivos processos, ainda que simplificados, estão a ser avaliados".
Já no final da sua intervenção e quando o primeiro-ministro já não tinha tempo para responder, Ventura voltou a desafiar o Governo a baixar o IVA dos combustíveis.
O líder do Chega referiu também as alterações ao pacote laboral, dizendo que o Governo avançou sem apoio e agora pede "por favor" ao seu partido que aprove.
"Nós não aprovamos reformas que tirem direitos às mães que trabalham, não aprovamos reformas que tiram direitos a quem trabalha por turnos e a quem trabalha em horas extraordinárias. Se quer fazer isto, vai ter que baixar a idade da reforma em Portugal", avisou.
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