Ventura acusa líder do PS de ter ido à Venezuela "prestar vassalagem a um regime corrupto"
José Luís Carneiro criticou André Ventura por ter ido à Hungria "celebrar a extrema-direita".
O presidente do Chega acusou esta quarta-feira o secretário-geral do PS de ter ido à Venezuela "prestar vassalagem a um regime corrupto", com o líder parlamentar socialista a criticar André Ventura por ter ido à Hungria "celebrar a extrema-direita".
Esta troca de acusações aconteceu no parlamento, na interpelação ao Governo requerida pelo PCP sobre medidas para combater a subida de preços na sequência do conflito no Médio Oriente.
O líder do Chega acusou o secretário-geral do PS de ter ido à Venezuela no final da semana passada "para dar a mão, o pé, o braço, para dar tudo a um Governo tirano, assassino, corrupto".
Ventura disse que José Luís Carneiro "entendeu que devia ir à Venezuela prestar homenagem ao regime mais sanguinário da América do Sul".
Trata-se de "um partido que teve responsabilidades de governo, que tem responsabilidades no parlamento e foi prestar vassalagem ao governo de Maduro, ao governo de Delcy Rodrigues, ao governo tirânico que tanto tem destruído a comunidade portuguesa na Venezuela", alegou André Ventura.
Em resposta, o líder parlamentar do PS -- que integrou a comitiva do PS que se deslocou à Venezuela -- salientou que aquele país tem uma "das maiores comunidades de emigrantes" portugueses, que "bem precisa de apoio neste momento difícil", alguns dos quais presos políticos.
"O senhor não é de um partido como o PS, que tem a história de ter nas suas fileiras presos políticos quando Salazar vivia em Portugal. Eu percebo que um homem que diz que Portugal precisa de três Salazares, perceba que quatro portugueses detidos em prisões políticas na Venezuela não seja um problema para um líder político", criticou.
Eurico Brilhante Dias assinalou ainda que, também no último fim de semana, o líder do Chega esteve na Hungria a "celebrar com Orbán a extrema-direita na Europa".
Assinalando que Viktor Orbán "limita o apoio da União Europeia à Ucrânia", o deputado socialista acusou André Ventura de estar "aliado com aqueles que combatem à ajuda ao povo ucraniano" e, desta forma, ser "um colaborador de Putin".
"O senhor é uma fraude política", acusou Brilhante Dias.
Na réplica, o deputado assinalou que "o Chega ganhou as eleições na Venezuela" e indicou que o seu partido irá "sempre acompanhar uma visita às comunidades portuguesas na Venezuela", mas nunca iria lá "prestar vassalagem a um regime tirano, corrupto", alegando que foi isso que o PS fez.
"Se houver aqui fraude política é ao partido de Mário Soares que teria vergonha de irem para a Venezuela dar a mão a ditadores", defendeu.
O líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, lamentou que, neste debate, se fale "de tudo, menos daquilo que verdadeiramente importa e ao dia-a-dia dos portugueses".
Mais à frente no debate, também a IL se referiu à viagem do líder do PS à Venezuela, e criticou José Luís Carneiro por ter ido lá "dizer que aquilo funciona".
Também o deputado Paulo Muacho pediu a palavra para pedir a distribuição de "notícias que demonstram viagens de ministros do governo de Pedro Passos Coelho, apoiado por André Ventura, à Venezuela".
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