Ventura acusa Montenegro de ter plano sem medidas concretas e sem calendário

Críticas foram feitas depois de o primeiro-ministro ter afirmado que o Governo quer aprovar a versão final do PTRR no início de abril.

20 de fevereiro de 2026 às 17:58
André Ventura Foto: João Cortesão
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O presidente do Chega acusou esta sexta-feira o Governo de anunciar um plano de resposta à destruição provocada pelas tempestades sem calendarização e sem medidas concretas, considerando que o primeiro-ministro revelou incompreensão perante o sofrimento das pessoas atingidas.

Estas críticas foram feitas por André Ventura, em conferência de imprensa, na sede do seu partido, depois de o primeiro-ministro ter afirmado que o Governo quer aprovar a versão final do PTRR no início de abril e que o envelope financeiro só será definido após o período de auscultação nacional.

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No final da reunião semanal do Conselho de Ministros, que aprovou as linhas gerais do programa "Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência" (PTRR), Luís Montenegro disse ter pedido reuniões com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e com o chefe de Estado eleito, António José Seguro, além dos encontros já marcados com os partidos com assento parlamentar na próxima quarta-feira.

"Neste plano do Governo não há uma medida em concreto. Estamos perante uma falta de calendarização absoluta. Um plano para oito anos num país que acabou de ser devastado há oito dias é uma vergonha", declarou André Ventura, que aconselhou o executivo de Luís Montenegro a ter a humildade de refazer esse plano, depois de falar com os autarcas, inclusivamente com os que são eleitos pelo PSD.

Em relação ao encontro que terá em breve com o Governo, o presidente do Chega adiantou que irá avançar "com medidas concretas" para minorar os prejuízos das pessoas e empresas atingidas pelas recentes tempestades.

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"Hoje, o que tivemos foi um Governo e um primeiro-ministro que atiraram para o ar um conjunto de metas, de programas e de ideias vazias, sem qualquer ligação ao sofrimento que as pessoas tiveram e estão ainda a ter. Portugal passou por uma das piores devastações da sua história, com danos estimados entre cinco e seis milhões de euros", disse.

Neste quadro, de acordo com André Ventura, "era exigível um Governo que respondesse rapidamente e de forma clara e que não se iria repetir o que se passou nos últimos anos, quer em incêndios, quer nos apagões".

"No plano anunciado pelo primeiro-ministro não há medidas concretas, não há uma ideia fundamental que possa ser concretizada. E isto só por si é grave demais. Significa que o primeiro-ministro não percebeu o sofrimento das pessoas e que era preciso resolver já", acusou.

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Neste contexto, o presidente do Chega assinalou que há muitas pessoas sem telhado nas suas casas e muitos empresários com as suas fábricas sem paredes.

"Os caminhos e as explorações agrícolas estão bloqueados, mas não tivemos hoje uma medida concreta que pudesse ser anunciada", criticou.

De acordo com André Ventura, da parte do Governo, "nem sequer houve a indicação de quem vai executar o plano".

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"Por isso, pode prever-se e perceber-se o caos que será na administração, nas empresas, nas organizações regionais e locais em matéria de competências próprias de cada entidade. São as comissões de coordenação, são as autarquias, são as autarquias de freguesia ou são os ministérios, como os da Administração Interna ou da Coesão Territorial? Não sabemos", concluiu.

Para o presidente do Chega, Luís Montenegro optou por "fazer um anúncio de powerpoints, que sempre criticou aos seus opositores".

"O que assistimos hoje foi um exercício de propaganda incompreensível", rematou.

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