Ventura alega que o querem prender e afirma que o Chega fará "a revolução para pôr fim ao "sistema dos últimos 50 anos"

Presidente do partido discursou na manifestação convocada para este sábado em Lisboa.

26 de outubro de 2024 às 18:12
André Ventura Foto: Flávio Alberto/Lusa
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O presidente do Chega, André Ventura, alegou este sábado que o querem prender e afirmou que, aconteça o que acontecer, o seu partido fará "a revolução" para pôr fim ao "sistema dos últimos 50 anos".

André Ventura discursava num palco montado em frente à Assembleia da República, no fim de uma manifestação de apoio às forças de segurança convocada pelo Chega, que juntou entre duas e três centenas de pessoas e levou cerca de 45 minutos a percorrer um trajeto desde a Praça do Município, em Lisboa.

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"É a revolução, a verdadeira revolução que nós queremos fazer em Portugal. Não há prisão que pare essa revolução, porque para prender a um eles terão de nos prender a todos e terão de nos pôr a todos na cadeia, a todos, a todos na cadeia", exclamou o presidente do Chega.

Já no início desta manifestação, o presidente do Chega tinha alegado que o querem prender: "Nós temos um conjunto de vândalos a destruir o país todas as noites. Se quem acabar por ir para a prisão for eu, está tudo errado neste país, está tudo errado na democracia, está tudo errado no Estado de direito que defendemos". 

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"Em todo o caso, vocês conhecem-me, eu penso que o país me conhece também, eu nunca na minha vida, nunca, fugi à minha responsabilidade", acrescentou.

André Ventura referiu que está a ser ameaçado "com processos", sem nunca se referir diretamente ao inquérito que a Procuradoria-Geral da República (PGR) abriu por declarações suas e do líder parlamentar do Chega, Pedro Pinto, que corre no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) Regional de Lisboa, nem à queixa-crime que um grupo de cidadãos está a preparar por causa das mesmas declarações sobre a atuação da polícia.

"Não há ninguém, nenhum poder neste Estado nem nesta República, que nos parará. Ninguém parará este movimento. Nós somos a única salvação, a última salvação para Portugal", declarou, no palco em frente à Assembleia da República, ladeado por duas bandeiras nacionais em grande formato.

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O presidente do Chega colocou o seu partido como estando fora da "classe política" e opondo-se ao "sistema dos últimos 50 anos" de democracia em Portugal: "Eles têm 50 anos do lado deles, nós temos a revolução do nosso lado, nós somos os novos, nós somos os inovadores, nós somos o espírito novo deste século, nós somos a novidade, nós somos a revolução, nós somos a transformação".

A manifestação do Chega foi convocada como contraponto a outra realizada à mesma hora em Lisboa para reclamar justiça pela morte de Odair Moniz, o homem que morreu baleado pela PSP na segunda-feira na Cova da Moura, na Amadora.

No desfile do Chega, que decorreu de forma pacífica, as palavras de ordem mais repetidas foram "polícia sim, bandidos não" e "o lugar do ladrão é na prisão", mas também se gritou "Ventura, Ventura" e "Portugal é nosso".

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No seu discurso, de vinte minutos, André Ventura reiterou a mensagem, já transmitida aos jornalistas no início, de que o Chega quer mostrar que há "outro país" além do que se manifestava "a um quilómetro ou dois" dali.

O presidente do Chega dividiu o país em "dois lados", um que está com "a bandidagem", com "as minorias e os coitadinhos" e "sempre contra a polícia e contra a autoridade", e outro que apoia as forças de segurança.

"A toda a bandidagem deste país, nós temos uma mensagem: o vosso país acabou, o vosso país morreu", disse.

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Ventura sustentou que "estava tudo contra" o Chega e que os seus apoiantes compareceram "sem medo" e, "se for preciso", são "muito mais" do que os "do outro lado".

A encerrar a manifestação, ouviu-se o hino nacional e a canção dos Da Vinci "Conquistador". Pelas 17:00, os manifestantes estavam a desmobilizar e ao microfone pedia-se que quem se dirigisse à baixa de Lisboa procurasse "não arranjar confusão", depois de uma semana em que o Chega esteve no centro de várias polémicas.

A frase do líder parlamentar do Chega, Pedro Pinto, que suscitou um inquérito da PGR e uma queixa-crime de cidadãos foi dita na quarta-feira na RTP3, sobre as forças de segurança: "Se calhar, se disparassem mais a matar, o país estava mais na ordem".

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Estão também em causa afirmações do presidente do Chega feitas na terça-feira, aos jornalistas, sobre o polícia que baleou Odair Moniz: "Nós não devíamos constituir este homem arguido, nós devíamos agradecer a este polícia o trabalho que fez".

"Nós devemos agradecer-lhe, devíamos condecorá-lo", reforçou Ventura.

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