"Ventura não nos representa": figuras "não-socialistas" assinam carta aberta de apoio a António José Seguro

Pedro Mexia, Pacheco Pereira, Lobo Xavier, José Diogo Quintela, Teresa Violante e Ana Garcia Martins são algumas das cerca de 700 pessoas que assinam a carta.

24 de janeiro de 2026 às 15:56
António José Seguro discursa após resultados das eleições Foto: José Coelho/Lusa
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Várias figuras do espaço político não-socialista e de centro-direita tornaram público este sábado o seu apoio a António José Seguro na segunda volta das eleições presidenciais. Numa carta aberta intitulada "Não-Socialistas por Seguro", que até ao momento conta com mais de 700 assinaturas, os signatários rejeitam a leitura do ato eleitoral do próximo dia 8 de fevereiro como um mero confronto entre esquerda e direita, deixando com isso uma garantia: "André Ventura não nos representa".

Recuperando a memória da única vez que as Presidenciais foram decididas a duas voltas — a eleição de 1986, entre Mário Soares e Freitas do Amoral, que Soares venceu — os assinantes da carta afirmam que apesar de ser "compreensível" que se tentem comparar as duas, estas "não podiam ser mais diferentes".

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"Em 1986, os portugueses escolheram entre um moderado de esquerda e um moderado de direita; em 2026, enfrentam-se um candidato do centro-esquerda e outro das direitas radicais", pode ler-se.

Recordando posições assumidas por Ventura ao longo dos anos que descrevem como "inconstitucionais, discriminatórias ou atentatórias da dignidade humana", os signatários descrevem o candidato do Chega como alguém com "falta de sentido de Estado" e que "promove o divisionismo", e não, como o próprio tem argumentado na campanha, como "líder das direitas" no combate ideológico contra Seguro e o "socialismo".

"Por estas e outras razões, André Ventura não apresenta condições objectivas nem subjectivas para exercer o mais alto cargo do Estado", sustentam.

Em contraponto, dizem os signatários, Seguro "evitou na campanha o facciosismo ou a ofensa, e tem um percurso político de moderação, honestidade e dignidade". Por estas razões, e ainda que reconhecendo as "diferenças ideológicas" com o candidato apoiado do PS, manifestam-lhe o seu apoio, defendendo que o candidato que venceu a primeira volta das presidenciais "não atentará contra os valores democráticos e humanistas, nem contra os direitos, as liberdades e as garantias dos cidadãos".

Entre as figuras da sociedade portuguesa que emprestam o seu nome à carta contam-se vários políticos e intelectuais ligados ao espaço da direita, como os ex-deputado do CDS Adolfo Mesquita Nunes e António Lobo Xavier, dos ex-ministros do PSD António Capucho, Miguel Poiares Maduro e Arlindo Cunha, a antiga vereadora de Carlos Moedas na Câmara de Lisboa Filipa Roseta, o historiador e histórico social-democrata Pacheco Pereira, os escritores e cronistas Afonso Reis Cabral, Francisco José Viegas, Henrique Raposo, Miguel Esteves Cardoso, Pedro Mexia e Rita Ferro, o humorista José Diogo Quintela, o comentador político João Maria Jonet ou a blogger e apresentadora Ana Garcia Martins.

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