Vereador do Chega em Santarém rejeita acusações de afastamento feitas por autarcas do partido
Pedro Correia diz que se trata de uma "campanha para denegrir" a sua imagem, após acusações de 11 autarcas do próprio partido.
O vereador do Chega na Câmara de Santarém rejeitou esta quarta-feira críticas de afastamento, falta de empenho e alinhamento com o executivo municipal, feitas num documento subscrito por autarcas do partido, considerando tratar-se de uma "campanha para denegrir" a sua imagem.
Num manifesto enviado à estrutura nacional e ao qual a Lusa teve acesso, 11 autarcas do partido pediram a intervenção da direção para ultrapassar aquilo que classificam como um "grave problema interno", acusando o vereador da Câmara de Santarém eleito pelo Chega, Pedro Correia, de afastamento, falta de coordenação com os restantes eleitos e de posições políticas que consideram alinhadas com o executivo municipal da AD.
Os 11 autarcas que assinam o manifesto exercem funções em vários órgãos autárquicos do concelho - quatro eleitos na Assembleia Municipal, dois na Assembleia da União de Freguesias da Cidade de Santarém e um na junta de freguesia, um na Assembleia de Freguesia de Vale de Santarém, dois em Alcanede e um na União de Freguesias de Romeira e Várzea.
Em declarações à agência Lusa, Pedro Correia afirmou que a divulgação deste manifesto constitui uma "violação dos mecanismos internos do partido e visa "denegrir" a sua imagem enquanto vereador, vice-presidente da Distrital e deputado à Assembleia da República.
Segundo o documento, os militantes envolvidos na campanha autárquica de 2025 acusam Pedro Correia de ter participado pouco durante o período eleitoral, alegando que apenas surgiu "nos últimos 15 dias" e em "poucas ações de rua". O grupo defende que o reduzido envolvimento prejudicou o desempenho eleitoral e impediu a eleição de um segundo vereador.
Os subscritores referem ainda que, após as eleições, o vereador "se afastou completamente" dos eleitos e do grupo de trabalho que o acompanhou na campanha, mencionando igualmente desentendimentos com os autarcas da União de Freguesias da Cidade de Santarém relacionados com a definição de estratégias locais.
Os autarcas subscritores do documento afirmam que a posição de abstenção de Pedro Correia num ponto sobre delegação de competências no presidente da câmara "contrariou" a decisão do grupo, que tinha optado por votar contra. A atitude é descrita como "passiva" e "permissiva" face ao executivo.
No manifesto, aqueles autarcas defendem que a atual situação "trai" os eleitores do Chega, nomeadamente os que se mostraram descontentes com o PSD, e que impede o partido de exercer influência como "fiel da balança" no executivo municipal.
Os subscritores pedem, por isso, que a direção nacional intervenha para "encontrar uma solução" e evitar que o caso provoque danos na imagem e credibilidade do partido no concelho.
Pedro Correia, que foi eleito vereador na Câmara de Santarém nas eleições autárquicas de 2025, disse à agência Lusa ser "uma abominável mentira" que tenha estado ausente durante a campanha para as autárquicas de 2025, garantindo que, desde janeiro até outubro desse ano, esteve "praticamente todos os fins de semana" em Santarém, participando em eventos nas freguesias rurais e em iniciativas de campanha, interrompendo apenas o calendário devido ao período das eleições legislativas.
O autarca afirmou também ter participado em "todos os debates e todas as entrevistas" promovidas pela comunicação social, considerando "caluniosa" a ideia de que apenas surgiu nos últimos dias de campanha.
Sobre as acusações de afastamento dos restantes eleitos do Chega, o vereador negou qualquer rutura, garantindo preparar o trabalho autárquico "com aqueles que querem rever-se numa política séria para o concelho" e sublinhando que tem estado presente em vários eventos oficiais juntamente com eleitos do partido.
A propósito da crítica de que votou de forma divergente na delegação de competências do presidente da câmara, Pedro Correia afirmou que seguiu "exclusivamente" as orientações do Chega a nível nacional.
"Só há um partido", disse, defendendo que compete aos eleitos cumprir as indicações transmitidas pela Comissão Autárquica Nacional.
Relativamente à acusação de alegado alinhamento com o PSD, com alguns militantes a apelidarem-no de "quinto vereador da AD", contrapôs com o facto de ter sido "o único vereador" a votar contra o orçamento municipal para 2024, lembrando que os eleitos do PS se abstiveram.
Pedro Correia considerou ainda que algumas das pessoas que assinaram o documento "foram coagidas" a fazê-lo e que determinadas acusações estão a prejudicar a imagem do Chega.
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