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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Parlamento sueco vota em junho proposta que denuncia acordo fiscal com Portugal

Protocolo assinado em 2017 pelos ministros das Finanças de Portugal e da Suécia introduz alterações à convenção para evitar a dupla tributação entre os dois países.

24 de abril de 2021 às 11:29

A proposta que o Governo da Suécia enviou ao parlamento para denunciar a convenção para evitar a dupla tributação (CDT) com Portugal vai ser votada no próximo dia 2 de junho, tendo o Governo português sido informado deste passo.

"O Governo português foi informado de que o parlamento colocou o projeto de lei em votação no dia 2 de junho", disse à Lusa o Ministério das Finanças sueco.

Na origem deste projeto de lei do Governo sueco está o facto de até agora Portugal não ter ratificado o protocolo ao acordo de dupla tributação assinado pelos dois países em maio de 2019.

Em resposta à Lusa, a mesma fonte oficial do ministério tutelado por Magdalena Andersson lembra que, quando o seu Governo decidiu apresentar um projeto de lei ao parlamento propondo a rescisão do tratado fiscal, informou o executivo português de que este poderia "ser revogado se Portugal ratificasse o protocolo que altera o tratado antes de o parlamento votar" o diploma.

A Lusa questionou o Ministério dos Negócios Estrangeiros português sobre o processo de ratificação do protocolo mas não obteve resposta.

O protocolo assinado em 2017 pelos ministros das Finanças de Portugal e da Suécia introduz alterações à convenção para evitar a dupla tributação entre os dois países, nomeadamente no que diz respeito à tributação das pensões dos suecos que se mudaram para Portugal e se encontram abrangidos pelo regime fiscal do Residente Não Habitual (RNH), o que lhes permite beneficiar de isenção total de IRS sobre a reforma.

Em termos práticos e se ratificado por ambas as partes, este protocolo devolve à Suécia o direito de tributar as pensões a partir de 1 de janeiro de 2023 - ou em janeiro de 2022 em relação aos reformados residentes em Portugal e com pensões pagas pela Suécia ao abrigo do RNH que não optem pela taxa de 10% de IRS criada através do Orçamento do Estado de 2020 (OE2020).

Na ausência de ratificação por parte de Portugal e sendo aprovado o projeto do Governo sueco que denuncia o tratado para evitar a dupla tributação com Portugal, a Suécia começará já em 1 de janeiro de 2022 a tributar as pensões dos seus cidadãos que residem em Portugal.

"Se o tratado for denunciado tal como previsto no projeto de lei [a ser votado em 2 de junho], a Suécia pode tributar as pensões em questão a partir de 1 de janeiro de 2022", refere o gabinete de Magdalena Andersson.

Sem se pronunciar sobre a taxa de 10% para as pensões de quem está no RNH (e que é opcional, já que os beneficiários podem optar por manter a isenção até esgotarem os 10 anos que o regime lhes confere), a mesma fonte oficial observa, contudo, que o imposto sobre pensões no âmbito do RNH "não contém nenhum elemento de progressão", ao contrário do que sucede com o regime geral em vigor em Portugal para a tributação deste tipo de rendimentos.

"A diferença entre o programa RNH e a tributação geral em Portugal significa que o RNH é um regime direcionado, que visa especificamente atrair pessoas para Portugal por motivos fiscais", refere a mesma fonte, sublinhando que, perante estas circunstâncias, a Suécia "não está disposta a abster-se dos direitos de tributação que decorrem" da sua legislação.

Para o Ministério das Finanças sueco, os tratados fiscais devem visar evitar a dupla tributação e "não proporcionar oportunidades de planeamento fiscal".

A taxa que a Suécia aplica sobre as pensões é de 25%.

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