Francisco Rodrigues dos Santos convidou Costa para lhe apresentar as medidas que tem para a natalidade e que gostaria de ver inscritas no OE2021.
Líder do CDS-PP desafia Costa a suspender conversações com as esquerdas
O presidente do CDS-PP desafiou esta terça-feira o primeiro-ministro a suspender as conversações com a esquerda e a extrema-esquerda, que "estão a obrigá-lo a tomar escolhas completamente erradas", e a dialogar com o seu partido sobre natalidade.
Em declarações aos jornalistas, em Évora, Francisco Rodrigues dos Santos convidou o primeiro-ministro, o socialista António Costa, para uma reunião com o CDS-PP para o partido lhe apresentar as medidas que tem para a natalidade e que gostaria de ver inscritas no Orçamento do Estado para 2021.
"Estou disponível para interromper a minha campanha [para as autárquicas], encontrar-me com o primeiro-ministro, pedir-lhe que suspenda as conversações com a esquerda e com a extrema-esquerda, que estão a atrasar o desenvolvimento e a recuperação económica do país e a obrigá-lo a tomar escolhas completamente erradas para o próximo Orçamento do Estado, e a dialogar com a direita certa para Portugal, que é o CDS-PP".
Francisco Rodrigues dos Santos falava antes de ter participado, juntamente com o presidente social-democrata, Rui Rio, na inauguração da sede de campanha para as autárquicas de 26 de setembro da candidatura aos órgãos municipais do concelho de Évora da coligação PSD/CDS-PP/PPM/MPT.
O líder do CDS-PP lembrou que António Costa apresentou as propostas do Governo para a natalidade e deu "as boas-vindas ao primeiro-ministro na abordagem ao tema" no congresso do PS, que decorreu em Portimão, no passado fim de semana.
No entanto, criticou, "o que o Governo apresenta são migalhas, meras esmolas, que não incentivam nenhuma família a ter filhos" e a recuperar Portugal da maior quebra de nascimentos dos últimos 30 anos.
"O CDS entende que devem ser tomadas medidas cirúrgicas e robustas ao nível de incentivos fiscais expressos", afirmou, defendendo que é preciso isenção do IRS e uma majoração das reformas para famílias com filhos e "mensalidades a cada nascimento em Portugal que ajude a custear as despesas das famílias".
Também é preciso "conciliar a vida familiar com a vida profissional", o que "passa por dar liberdade às famílias para escolherem a escola em que querem que os seus filhos estudem, dar incentivos fiscais às empresas e um selo de empresa amiga da família para aquelas que praticarem políticas de recursos humanos que estimulem os seus profissionais a constituir família e a ter filhos".
"Estas não foram as linhas seguidas pelo primeiro-ministro, que dá apenas migalhas, esmolas de mais 60 euros por filho ou deduções fiscais de 800 euros. Isto realmente são pozinhos de perlimpimpim, que não resolvem problema rigorosamente nenhum da natalidade em Portugal", lamentou.
Francisco Rodrigues dos Santos vincou que Portugal tem "os números mais baixos dos últimos 30 anos ao nível de nascimentos", a idade média de mulheres aquando do nascimento do primeiro filho "está cada vez maior" e o saldo entre nascimentos e mortes "agrava-se a cada ano".
"Isso tem problemas ao nível da sustentabilidade da Segurança Social, do emprego, da criação de riqueza e do futuro das novas gerações, que não vão ter uma oportunidade no seu país", alertou.
Trata-se de "um quadro verdadeiramente dramático e as causas estão identificadas: salários baixos, pobreza das famílias, a dificuldade da conciliação da vida familiar com a vida profissional e, claro, também não haver uma rede de creches", considerou.
O líder do CDS-PP disse que António Costa "anuncia agora a construção de novas creches, mas é primeiro-ministro há seis anos e já se devia ter visto mais do que se viu até aqui".
"É por isso que eu faço este apelo [a António Costa de] encontrar-se com o CDS-PP, comigo em particular. Estou disposto a suspender a minha campanha, para lhe apresentarmos as medidas e para que o primeiro-ministro possa inscrevê-las no próximo Orçamento do Estado e deixar de parte esta conversa com a esquerda e com a extrema-esquerda, que têm atrasado o nosso país a nível social e a nível económico e têm massacrado as nossas famílias, as nossas empresas com cada vez mais impostos", rematou.
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