Líder do Bloco de Esquerda falou num encontro com mulheres autarcas e candidatas do partido nas eleições autárquicas.
Catarina Martins quer que milhões prometidos respondam 'à vida concreta das pessoas'
A coordenadora do Bloco de Esquerda disse este domingo, em Santarém, que o partido vai "perguntar para onde vai cada tostão dos milhões" prometidos aos portugueses e exigir às autarquias que respondam "à vida concreta das pessoas".
Catarina Martins falava num encontro com mulheres autarcas e candidatas pelo BE nas eleições autárquicas do próximo dia 26, realizado este domingo à tarde, no Jardim da República, em Santarém, no espaço onde decorreu, no sábado, o segundo encontro LGBT realizado na cidade, numa iniciativa liderada pela candidata bloquista ao município escalabitano, Fabíola Cardoso.
"Fala-se pouco de autárquicas. Aproxima-se um Orçamento do Estado e ouvimos anúncios, mas não ouvimos falar da vida concreta das pessoas. Enquanto a direita fica mais ou menos no jogo do 'quanto irrelevante eu posso ser neste momento', a esquerda sabe que tem a máxima responsabilidade na resposta concreta à vida das pessoas", declarou a líder do BE, na abertura do encontro.
Catarina Martins frisou que o partido vai querer saber, nas autarquias, "para onde vai cada tostão" prometido e exigir medidas concretas, como "espaços seguros", com ruas "iluminadas e seguras", comércio local, "comunidades vivas", transportes "que respeitem as pessoas".
Antes, a líder bloquista declarou o seu "orgulho" pelas mulheres que se têm batido por causas em defesa das mulheres que se veem discriminadas e excluídas, seja pela sua orientação sexual, seja pela sua origem étnico-racial ou vítimas de violência, temas de que falaram hoje, na abertura do encontro, as candidatas do partido a Santarém, Fabíola Cardoso, a Lisboa, Beatriz Gomes Dias, e a Serpa, Guida Ascensão.
Lamentando que, apesar de o país ter consagrados na lei princípios "dos mais avançados do mundo" e de se estar no século XXI, algumas das lutas lideradas pelo partido pareçam ser ainda do século XIX, Catarina Martins referiu a importância do combate à precariedade, como "única forma de garantir que uma mulher não fica sem emprego por ser mãe", da criação de creches públicas em vez de "mais uma rotunda", de transportes coletivos, com qualidade e segurança e "às horas de que as pessoas precisam".
Assegurou ainda que o BE "não vai descansar se não garantir um Serviço Nacional de Saúde que responda a toda a gente, para a covid e para os cuidados não covid", e o reconhecimento de quem está na linha da frente a trabalhar todos os dias com contratos de trabalho "a sério".
No seu discurso, Beatriz Dias referiu como as questões de género cruzadas com a pertença étnico-racial agravam as situações de discriminação e exclusão e apontou como uma das medidas que quer ver concretizadas no município de Lisboa a existência de um pelouro da Cidadania e Igualdade, para trabalhar de forma articulada com os outros pelouros, cruzando políticas.
Guida Ascensão falou das muitas formas de violência associadas à questão de género, considerando inaceitável que o município alentejano a que concorre, Serpa, não tenha ainda um Plano para a Igualdade.
Já Fabíola Cardoso salientou o facto de o BE apresentar mulheres como cabeças de lista não só à Câmara, mas também à Assembleia Municipal e à União de Freguesias da cidade de Santarém, prometendo levar as lutas feministas, nas suas mais diversas vertentes, para a agenda política num concelho marcado pelo "conservadorismo, o machismo e o marialvismo".
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