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Correio da Manhã

Política
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Costa apoia MAI e diz que se houver nova falha no aeroporto de Lisboa "há demissão"

líderes parlamentares do Chega e da IL trocaram alguns 'recados' sobre o elogio deixado pelo primeiro-ministro à IL.
Lusa 22 de Junho de 2022 às 19:24
António Costa
António Costa FOTO: Mário Cruz
O primeiro-ministro manifestou esta quarta-feira concordância com a posição expressa pelo ministro da Administração Interna de que houve uma falha na cadeia hierárquica do SEF no aeroporto de Lisboa, reiterando que se se repetir "há demissão".

O tema foi introduzido na segunda ronda do debate sobre política geral pelo líder parlamentar do Chega, Pedro Pinto, que questionou António Costa sobre declarações recentes do ministro José Luís Carneiro, que assumiu ao Público ter existido, num dia específico, uma falha de comunicação do SEF na origem de longas filas no aeroporto de Lisboa e que uma repetição levaria "à substituição imediata de quem tem essa responsabilidade no aeroporto".

Na resposta, o primeiro-ministro manifestou concordância de que existiu uma falha num dia em que desembarcaram mais de 3.000 passageiros em simultâneo no aeroporto de Lisboa e não foi comunicada à direção nacional do SEF a necessidade de ativar a equipa de contingência.

"Não foi comunicado, foi uma falha, o ministro sinalizou o que havia a sinalizar, repetindo isto há demissão", assegurou.

Na sua intervenção, o líder parlamentar do Chega acusou o Governo de António Costa de, em menos de três meses em funções, ter "o caos na saúde, no aeroporto e na segurança".

"Sentimos nos últimos dias que existe um grande aumento da criminalidade em Portugal com grupos de gangues que têm espalhado terror em algumas zonas de Lisboa e do Porto", afirmou.

O primeiro-ministro contrapôs que ainda esta quarta-feira foi publicado um relatório internacional segundo o qual Portugal recuperou "a terceira posição de país mais pacífico do mundo".

"Há várias formas de analisar a evolução da criminalidade: uma é lendo as notícias e definir assim a política criminal", criticou, elogiando a estabilidade entre governos que tem existido nessa matéria.

Pela Iniciativa Liberal, o líder parlamentar Rodrigo Saraiva trouxe um enorme rolo de papel com uma compilação das muitas comissões de acompanhamento, 'task forces' e grupos de trabalho que existem no país, e que disse constituir um novo "rolo compressor da maioria".

"Não acha que esta banalização é uma certidão de óbito à credibilidade dos serviços públicos", perguntou, depois de ler o nome de alguns destes grupos, com objetivos muitos particulares.

"A única resposta que me ocorre é que vou constituir um grupo de trabalho para analisar se esses grupos de trabalho, 'task force' e comissões são de facto necessários", respondeu António Costa, em tom bem-humorado.

Nesta fase do debate, os líderes parlamentares do Chega e da IL trocaram alguns 'recados' sobre o elogio deixado antes no debate pelo primeiro-ministro à clareza ideológica da Iniciativa Liberal.

"Vimos um piscar de olho de António Costa à IL, pela nossa parte ficamos contentes de não nos piscar o olho, é porque estamos a fazer o que nos competia", afirmou Pedro Pinto.

Rodrigo Saraiva pediu ao Chega para não fazer "cenas de ciúmes" e frisou que, no último Orçamento do Estado, a bancada que mais propostas do PS aprovou foi a do Chega e a que mais vezes votou contra foi a da IL.

"Se me permite um conselho, não repita o exercício do PSD na campanha eleitoral de procurar competir com o Chega. Não dá votos, vai perder votos, já tiveram uma boa maquia, não desperdicem nessa competição inútil com o Chega", aconselhou, a rematar a discussão, António Costa.

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