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Correio da Manhã

Política
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27% admitem mudar voto para a extrema-direita em sondagem

Voto num novo partido populista com maior abertura à direita.
João Maltez e Wilson Ledo 17 de Dezembro de 2018 às 09:33
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa
Se em Portugal surgisse "um novo partido a falar alto contra imigrantes ilegais e contra a corrupção", o eleitorado das restantes formações políticas mudaria o sentido de voto? À pergunta formulada pela Aximage, no âmbito do barómetro de dezembro para o CM , cerca de 27% dos inquiridos responderam que sim, "de certeza", ou "talvez". A grande maioria dos inquiridos (63,1%), contudo, rejeitou liminarmente dar o voto a um partido apostado em ideias de cariz populista.

O investigador Jorge de Sá, um dos autores do estudo, evidencia que "esta hipotética mudança atinge particularmente os eleitores rurais e os menos escolarizados", mas é transversal, em maior ou menor grau, a todos os partidos.

É verdade que há uma maior percentagem dos que admitem mudar entre os partidos de centro-direita (PSD e CDS), mas mesmo aí a maioria (60%) recusou votar num partido com ideias partilhadas pela extrema-direita. Entre os socialistas, o número sobe para 72,4% e nos bloquistas 76% disseram não às ideias populistas. Já para os inquiridos que admitiram optar pelo PCP, 77,6% rejeitaram uma mudança de intenção de voto para um partido anti-imigração.
Face ao universo dos inquiridos, importa dizer que 63,1% recusaram liminarmente votar num partido populista.

O politólogo André Freire, docente no ISCTE, considera que o cenário de criação de um partido populista não é propriamente "um tema de grande saliência" no atual contexto político e social português, sobretudo quanto está em causa o tema das migrações.

Opinião semelhante é partilhada pelo professor de Filosofia e Ciência Política Viriato Soromenho-Marques, para quem "o problema da imigração não se coloca" enquanto fator que promova o populismo em Portugal. Já quando o que está em causa são práticas de corrupção, sublinha que, aí sim, se cria o caldo cultural para dar força a ideias extremistas.

DEPOIMENTOS
Jorge de Sá, Investigador e diretor da Aximage
Ameaça para "equilíbrio democrático" em Portugal
O principal alerta [desta sondagem] diz respeito ao [perigo para o] equilíbrio democrático com que a sociedade portuguesa tem vivido nos últimos quatro decénios, em que a extrema-direita não tem tido qualquer espaço.

Viriato Soromenho-Marques, professor de filosofia e política
"Populismo não é doença, mas a febre que a indica"
O populismo dá respostas simples a problemas complexos. Quando falamos de populismo não falamos de uma doença, mas da febre que indica a sua existência. O que sucede é que os políticos europeus, como Merkel e Macron, têm atacado a febre e não a doença.

André Freire, Politólogo
"Contestação à imigração tem pouca expressão"
O cenário da criação de um partido populista não é propriamente um tema de grande saliência no atual contexto político e social português, sobretudo quanto está em causa o tema das migrações, cuja contestação tem pouca expressão no nosso país.

PORMENORES
PS sozinho vence direita
Mesmo que PSD e CDS se juntassem, não teriam peso suficiente para retirar António Costa do poder. O PS reúne 37% das intenções de voto, acima dos 33,4% alcançados pelos dois partidos da direita.

Abstenção nos 33,4%
Se os portugueses fossem agora às urnas, um em cada três iria abster-se. A sondagem da Aximage para o CM mostra que a abstenção voltou a subir em dezembro, para os 33,4%.

Centeno é preferido
O ministro das Finanças, Mário Centeno, é considerado pelos inquiridos como o melhor ministro. O "Ronaldo das Finanças" reuniu 29,4% das preferências. Em sentido contrário surge o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, apontado por 21,2% dos inquiridos.

Todos baixam de nota e nem Marcelo escapa
Não há um único líder partidário que, de novembro para dezembro, não veja a sua avaliação descer no Barómetro da Aximage para o CM e ‘Negócios’. Só a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, e o líder do PCP, Jerónimo de Sousa, conseguem ter nota positiva, embora perto da linha de água.

O secretário-geral do PS, António Costa, passa a ter negativa na avaliação dos portugueses, caindo de 10,6 para 9,7 valores. Na oposição, Assunção Cristas, do CDS-PP, é a líder partidária com melhor desempenho, com 8,1 pontos. O presidente do PSD, Rui Rio, surge distante, na última posição, com 6,4 valores.

Os inquiridos na sondagem da Aximage continuam a reconhecer qualidade ao mandato de Marcelo Rebelo de Sousa. Contudo, pela primeira vez, o Presidente da República ficou abaixo dos 17 valores (16,8), confirmando uma tendência de quebra na avaliação que se verifica desde junho deste ano.

Eleitores do PCP mais avessos a mudanças
Os eleitores da CDU (coligação entre PCP e Os Verdes) são os menos dispostos a alterar o sentido de voto. 77,6% dizem que nunca mudariam para um partido anti-imigrantes.

Ficha técnica

Universo: indivíduos inscritos nos cadernos eleitorais em Portugal com telefone fixo no lar ou possuidor de telemóvel.

Amostra: aleatória e estratificada (região, habitat, sexo, idade, escolaridade, actividade e voto legislativo) e representativa do universo e foi extraída de um sub-universo obtido de forma idêntica. A amostra teve 602 entrevistas efectivas: 313 a homens e 289 a mulheres; 55 no Interior Norte Centro, 74 no Litoral Norte, 113 na Área Metropolitana do Porto, 118 no Litoral Centro, 165 na Área Metropolitana de Lisboa e 78 no Sul e Ilhas;101 em aldeias, 134 em vilas e 367 em cidades. A proporcionalidade pelas variáveis de estratificação é obtida após reequilibragem amostral.

Técnica: Entrevista telefónica por C.A.T.I., tendo o trabalho de campo decorrido nos dias 7 a 11 de Dezembro de 2018, com uma taxa de resposta de 73,6%.

Erro probabilístico: Para o total de uma amostra aleatória simples com 602 entrevistas, o desvio padrão máximo de uma proporção é 0,020 (ou seja, uma "margem de erro" – a 95% - de 4,00%).

Responsabilidade do estudo: Aximage Comunicação e Imagem Lda., sob a direcção técnica de Jorge de Sá e de João Queiroz.

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