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Correio da Manhã

Política

A campanha de Ségolène chega ao PS Europeu

Ségolène Royal, a candidata socialista para a eleição presidencial francesa de 2007, foi a estrela do primeiro dia do 7.º Congresso do Partido Socialista Europeu, que ontem à tarde começou na Alfândega do Porto e reúne mais de 700 delegados.
8 de Dezembro de 2006 às 00:00
Ségolène e José Sócrates na abertura do congresso do PSE
Ségolène e José Sócrates na abertura do congresso do PSE FOTO: António Rilo
Apresentada como “futura Presidente da França”, Ségolène falou cerca de quinze minutos e começou por desejar a “José Sócrates” o “maior sucesso” no referendo sobre o aborto “que decidiste convocar”.
Citou Pessoa (“a Europa deve falar a uma só voz, mas com todas as suas línguas” e disse querer que a França “assuma uma posição de charneira na União Europeia numa etapa mais forte, não para dominar, mas para ser, de novo, uma das locomotivas da Europa”. Defendeu que o Banco Central Europeu deve “estar sujeito às decisões políticas” e defendeu que o “Mundo precisa de mais regras, dentro do modelo democrático que a Europa inventou e difundiu pelo Mundo”. “Quero que a Europa avance protegendo o seu modelo social”, disse ainda a candidata socialista.
José Sócrates, que falou antes, diz que Ségolène fez “nascer um novo espírito para a França” e tratou-a publicamente por tu: “A tua voz afirma uma França capaz de se renovar e cheia de ambição”. Disse-lhe ainda: “Não te incomodes por dizerem que não és de esquerda. Já o disseram de mim muitas vezes, como disseram de Soares e Mitterrand”. O primeiro-ministro, que saltou quatro páginas do seu discurso, defendeu que “a Estratégia de Lisboa deve inspirar um novo reformismo europeu”, para o que é fundamental relançar “a capacidade de decisão”.
O presidente do PSE, o dinamarquês Poul Rasmussen, dirigiu-se particularmente a Howard Dean, do Partido Democrático dos EUA, para dizer: “Nós não somos anti-americanos. Somos pela verdadeira América”.
O Congresso tem por tema ‘A nova Europa Social’ e ocupa muitas salas, onde os delegados discutem os temas parcelares. Poul Rasmussen e Jacques Delors apresentam um relatório sobre a necessidade de “mais e melhores políticas económicas e sociais, não menos”.
ALMOÇO COM SÓCRATES E RASMUSSEN
José Sócrates almoçou ontem com Ségolène Royal, o seu companheiro François Hollanda (chefe do PS francês e pai dos seus quatro filhos) e o presidente do PSE, Poul Rasmussen, no edifício da Alfândega do Porto, onde decorre até hoje o Congresso do PSE. O primeiro-ministro e a candidata a PR da França tiveram ainda um encontro a sós, ainda na Alfândega.
A chegada de Ségolène à sala dos plenários, elegante numa saia plissada preta, casaco salmão e camisola e brincos cor-de-rosa, foi tumultuosa – o presidente do Partido Democrático americano, Howard Dean, chegou a andar pelo ar. Ladeada por Sócrates e José Lello, Ségolène nunca perdeu o seu enorme sorriso e foi a grande estrela da tarde. Hoje de manhã ainda estará nos trabalhos do Congresso do PSE.
JUMBLATT E OS ASSASSINOS DA SÍRIA E DO IRÃO
Entre as muitas figuras que estão no Congresso – de Jacques Delors à comissária europeia Margot Wallstrom, do primeiro-ministro da Bulgária Stanishev ao austríaco Alfred Gusenbauer (líder do partido vencedor das últimas eleições) ao vice-primeiro-ministro do Reino Unido John Prescott (Romano Prodi é esperado hoje) – emerge ainda o libanês Walid Jumblatt. Para ele, “o Hezbollah é um instrumento dos assassinos da Síria e do Irão” que querem a queda do governo de Fouad Siniora. “À família socialista europeia, que nos apoiou muito na revolução do ano passado em que expulsámos o exército sírio, pedimos que fale a uma só voz para que a Síria pare de mandar terroristas e armas para o Líbano”, diz o líder druso.
“Temos à nossa frente um regime de assassinos, a Síria – são já 19 pessoas mortas e todas eram pela independência do Líbano – e é um jogo muito desigual. Nós não temos escolha, temos de resistir. A democracia está em perigo no Líbano”, diz Jumblatt.
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