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Correio da Manhã

Política
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A máquina engasgou

O presidente do instituto responsável pelo sistema informático do processo eleitoral assume as culpas pelo ‘apagão’ de domingo. O ministro quer saber a verdade
11 de Outubro de 2005 às 00:00
Um erro de cálculo está na origem do ‘apagão’ informático que privou os portugueses de conhecer, atempadamente, os resultados eleitorais da noite de domingo.
O sistema foi projectado para um número de utilizadores inferior ao que veio a registar-se. Resultado: a máquina ‘engasgou’, deixando eleitores, candidatos e partidos à beira de um ataque de nervos.
“Quadruplicámos a largura de banda na internet, relativamente às autárquicas de 2001. Esta opção teve por base o aumento de acessos à internet registado nos últimos quatro anos.
O problema é que o número de pessoas que consultou o ‘site’ ultrapassou o que estava projectado. Foi, não quatro, mas seis vezes mais”, disse, ao CM, o presidente do Instituto de Tecnologias de Informação da Justiça (ITIJ), Manuel Valente. Os números falam por si: em 2001, no período entre as 22h00 e as 23h00, registaram-se 155 mil consultas; ontem, esse número ultrapassou as 580 mil. Na hora de maior pico, entre as 23h00 e as 24h00, registaram-se 697 mil acessos, contra os 143 mil registados há quatro anos. Entre as sete horas de domingo e as quatro da tarde de ontem, houve seis milhões de consultas à página.
“Podíamos aumentar ainda mais a largura da banda, mas isto custa muito dinheiro. Fizemos o que julgámos correcto. A responsabilidade do que sucedeu é do ITIJ”, assumiu o seu presidente.
Apesar dos problemas, o Secretariado Técnico dos Assuntos para o Processo Eleitoral (STAPE) considera que o objectivo principal foi cumprido, embora reconheça que as “coisas não correram como previsto”. “Pretendíamos era que, até ás 24 horas, estivessem apuradas 90 por cento das freguesias. Estavam 89,4 por cento, disse, ao CM, Jorge Silva, subdirector do STAPE.
Particularmente afectadas pela ausência de resultados foram as empresas de sondagens. “As previsões são feitas com base em informação recolhida junto das secções de voto. Mas há concelhos em que fazemos a extrapolação dos resultados logo que são apuradas as primeiras freguesias. Esse trabalho não pôde ser feito”, esclareceu, ao nosso jornal, o general Sérgio Dias Branco, da Eurosondagens.
O ministro da Justiça, Alberto Costa, determinou uma rigorosa e exaustiva averiguação sobre o que se passou.
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