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Correio da Manhã

Política
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AJUDA AO IRAQUE

O comissário europeu para a Justiça e Assuntos Internos, António Vitorino, prometeu uma ajuda imediata de 10 milhões de euros aos iraquianos que procurem refúgio na Europa em caso de guerra no seu país. Vitorino falava durante uma reunião, esta semana, da Comissão das Liberdades e dos Direitos dos Cidadãos do Parlamento Europeu.
20 de Fevereiro de 2003 às 00:00
No decorrer do encontro, Vitorino tentou sensibilizar os eurodeputados para a necessidade de se agilizarem medidas já consagradas em directivas europeias, mas que ainda são de difícil execução. O comissário português defendeu que, em caso de guerra, a ajuda aos refugiados deverá ser disponibilizada imediatamente a partir de reservas do Fundo Europeu para os Refugiados.

Apesar de reconhecer que 10 milhões de euros serão “insuficientes no caso de um grande fluxo de refugiados” e por isso apelou às autoridades responsáveis pelo orçamento comunitário – da Comissão e do Parlamento Europeus – para tomarem medidas no sentido de antecipar a crise.

As declarações de Vitorino acabaram por estar na origem de uma discussão política “um pouco ridícula”, segundo afirmou ao CM o eurodeputado social-democrata Carlos Coelho. De acordo com este eurodeputado, alguns dos presentes partiram do princípio que com as suas declarações Vitorino estava a pressupor que a guerra é inevitável e criticaram-no por isso.

Em resposta às críticas, o comissário português afirmou: “Não defendo a guerra, mas se não anteciparmos a ajuda seremos responsabilizados por isso”. Vitorino salientou, ainda, esperar “que não venha a haver guerra”, mas no caso de uma intervenção militar, a União Europeia “tem de ter operacionais os mecanismos de ajuda às primeiras vítimas - os refugiados”.

Durante a reunião, os eurodeputados aproveitaram para debater com o comissário outras questões relacionadas com o Fundo para os Refugiados, nomeadamente a necessidade de se concertarem as políticas europeias de acolhimento a pessoas forçadas a abandonar temporariamente as suas casas.

No caso de um fluxo de refugiados iraquianos, e ainda segundo Carlos Coelho, os países europeus mais procurados poderão ser a Grécia, a Alemenha, a França e a Grã-Bretanha devido à existência de comunidades iraquianas fortemente implantadas nestes Estados.
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