Barra Cofina

Correio da Manhã

Política
8

Alegre acusa PS de reunir poucas vezes

Manuel Alegre acusa o PS de reunir poucas vezes os órgãos nacionais do partido. Ontem, o deputado socialista e ex-candidato independente à Presidência da República afirmou, reagindo a uma questão sobre a ideia que começa a ganhar corpo de que o seu Movimento Intervenção e Cidadania (MIC) estará a defraudar as expectativas iniciais, que “há órgãos dos partidos que estão oito meses sem reunir e nós já fizemos três reuniões”, uma mensagem dirigida ao próprio PS, cuja Comissão Nacional esteve sem reunir desde Setembro de 2005.
7 de Junho de 2006 às 00:00
O mal-estar pode voltar às relações entre Manuel Alegre e o PS, liderado por José Sócrates
O mal-estar pode voltar às relações entre Manuel Alegre e o PS, liderado por José Sócrates FOTO: Tiago Sousa Dias
O próprio Manuel Alegre especificou que “esse [o PS] é um deles [partidos que reúnem os seus órgãos nacionais de forma muito faseada no tempo]”. O órgão nacional dos socialistas reuniu a 20 de Maio, mas o deputado socialista, que é também vice-presidente da Assembleia da República, não compareceu. E, segundo fontes do PS, a sua participação nas reuniões do grupo parlamentar do PS tem sido mesmo rara nos últimos tempos.
Com esta acusação de que o PS está demasiado tempo sem reunir os seus órgãos nacionais, Manuel Alegre corre o risco de fazer regressar um certo clima de mal-estar ao interior do seu próprio partido, tal como aconteceu após ter avançado com uma candidatura à Presidência da República. Para já, o deputado garante que o MIC está vivo: “As pessoas continuam mobilizadas. Agora, como tive 1,2 milhões de votos, se eu não tenho um milhão de pessoas na rua, o movimento acabou”, frisa.
PROJECTOS SÓ ARTICULADOS COM DIRECÇÃO
Os dirigentes socialistas José Lello e Vitalino Canas advertiram ontem que as iniciativas legislativas da autoria do deputado Manuel Alegre terão obrigatoriamente de respeitar as regras de articulação com a direcção da bancada do partido. “Como deputado do PS, Manuel Alegre está sujeito às regras de solidariedade política existentes no interior da bancada. Se quiser ser deputado independente, então poderá levar à discussão em Plenário os projectos que entender em nome do seu Movimento”, declarou José Lello.
“Quando um deputado pretende apresentar um projecto, fala com a direcção do grupo parlamentar. A direcção [da bancada] verifica se pode ou não dar o seu apoio”, acrescentou Vitalino Canas.
'FUNÇÃO PÚBLICA NÃO TEM CULPA'
“É errado pensar que a Função Pública é o bode expiatório de todos os males do País.” Com esta afirmação, Manuel Alegre deixa claro que discorda da “ideia de que há gente a mais na Administração Pública”, como frisou ontem ao CM.
Mesmo existindo cerca de 700 mil funcionários públicos, o deputado considera que o que “há é uma má distribuição das pessoas. Por exemplo, há serviços com gente a mais, como a Saúde e a Educação, e outros com gente a menos”.
Alegre recusa comentar as medidas de mobilidade do Governo, dado que ainda não leu as propostas em detalhe, mas a sua discordância da ideia de que “há gente a mais na Função Pública” pode ser interpretada como mais um recado ao Executivo, depois de ter discordado do fecho de maternidades.
O PERCURSO DO MOVIMENTO
DESERTIFICAÇÃO
O MIC vai debater o tema da desertificação humana e territorial, pela primeira vez, em Julho. A partir de Setembro, o debate estende-se ao Algarve e ao Norte. Entretanto serão também discutidos outros temas, ainda por agendar, como a corrupção, imigração e justiça social.
TRÊS REUNIÕES
Manuel Alegre anunciou a criação do MIC uma semana depois do ex-candidato derrotado a Belém ter alcançado cerca de 1,2 milhões de votos. A primeira reunião foi a 28 Janeiro, em Lisboa. Reuniram pela segunda vez, em Coimbra, a 18 de Fevereiro. E a 27 de Maio foi eleita a comissão instaladora.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)