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Correio da Manhã

Política
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Alegre admite candidatura contra Mário Soares

"Eu sempre estive convencido que o Mário Soares queria ser candidato, mesmo quando dizia que me apoiava, e disse-o a amigos comuns.” Com estas palavras, Manuel Alegre deixou ontem claro, em declarações ao CM, que não ficou surpreendido com a candidatura do ex-Presidente da República às presidenciais, da qual teve conhecimento na véspera de José Sócrates revelar o seu apoio a Soares, no final de Julho.
13 de Setembro de 2005 às 00:00
Alegre só soube dos contactos entre Soares e o PS dias antes de Sócrates revelar o apoio ao ex-Presidente
Alegre só soube dos contactos entre Soares e o PS dias antes de Sócrates revelar o apoio ao ex-Presidente FOTO: João Relvas (Lusa)
E admitiu que a sua eventual candidatura, “teoricamente, é uma possibilidade”, dada “a divisão no eleitorado da esquerda”, como mostram as sondagens.
O deputado-poeta justifica a sua convicção na vontade de Mário Soares ser candidato de forma lapidar: “eu conheço-o muito bem”, uma alusão à velha amizade entre os dois.
Manuel Alegre revelou também que, apesar de conhecer a vontade de Mário Soares em avançar com uma candidatura, “não sabia que havia contactos [de Soares] com o PS”. Manuel Alegre só teve conhecimento desses contactos na terceira semana de Julho, poucos dias antes de José Sócrates o ter convidado para um almoço com Mário Soares e com ele próprio e véspera de Sócrates revelar o seu apoio a uma candidatura de Soares. Por isso, “se isto se mantiver assim [divisão no eleitorado da esquerda] e com as perspectivas da abstenção à vista, se calhar é preciso uma nova candidatura, a minha ou outra, que mobilize o eleitorado; senão o Cavaco Silva ganha à primeira volta”, diz.
ALMOÇO A TRÊS PARA PACIFICAR
A 22 de Julho passado, véspera de José Sócrates revelar o seu apoio a uma candidatura de Mário Soares à Presidência da República, o secretário-geral do PS tentou demover, através de “várias conversas”, Manuel Alegre da sua disponibilidade para ser candidato presidencial. “A conversa foi muito cordial. O José Sócrates estava muito preocupado e queria encontrar uma solução partilhada para o problema”, explica aquele deputado socialista.
A fim de encontrar uma saída para uma situação sensível que envolvia o PS e dois dos seus mais emblemáticos militantes históricos, José Sócrates propôs um almoço entre as três partes envolvidas: Manuel Alegre, Mário Soares e o próprio secretário-geral do PS. O repasto aconteceria com uma condição: “no final, eu faria uma declaração abrindo caminho à candidatura de Mário Soares”, acrescenta o deputado. Alegre “não estava de acordo”, e, por isso, recusou o almoço. O próprio Mário Soares disse ontem à Rádio Renascença que, “tanto quanto sei, houve uma proposta do primeiro-ministro para nos sentarmos os três a uma mesa e almoçarmos juntos”. Para Soares, “a questão entre o PS e o dr. Manuel Alegre não me diz respeito”. E considerou que Cavaco Silva é “o adversário possível, forte e de respeito com quem vai travar um combate leal” nas presidenciais.
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