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Correio da Manhã

Política
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Alegre em silêncio até sexta-feira

Manuel Alegre irá esperar por sexta-feira, quando o Governo vai apresentar o estudo final sobre a co-incineração, para conhecer a fundamentação do projecto e só depois decidirá as iniciativas políticas que irá tomar sobre este processo, revelou fonte próxima do deputado eleito pelo círculo socialista de Coimbra.
28 de Fevereiro de 2006 às 00:00
A posição de Alegre é aguardada com expectativa, uma vez que o ex-candidato à Presidência da República se opôs sempre à queima de resíduos industriais perigosos em Souselas e na quinta-feira passada disse, na Sic Notícias, que continuava a ser contra.
Ontem, Nunes Correia, ministro do Ambiente, adiantou ao ‘Diário Económico’ que “Outão [Setúbal] e Souselas [Coimbra] são os destinos mais prováveis”. Por isso, não é de excluir um novo braço-de-ferro entre Alegre e José Sócrates.
Ao CM Ana Sara Brito, coordenadora do Movimento de Intervenção e Cidadania (MIC), criado em torno da candidatura presidencial de Alegre, disse que a co-incineração é uma discussão “ainda não prevista pelo MIC, mas que pode acontecer ao longo da semana”. Manuel Alegre esteve ontem incontactável até ao fecho da edição.
Em 2000, Alegre e Sócrates estiveram em desacordo por defenderem os opostos: Sócrates, então ministro do Ambiente, aprovou o processo de co-incineração nas duas cimenteiras, apesar de Alegre e outros três deputados socialistas por Coimbra terem votado contra. Decisão que foi alvo de fortes contestações em Setúbal e Coimbra. Mais tarde, em 2002, o Governo de Durão Barroso suspendeu o processo.
REACÇÕES
OS VERDES
Heloísa Apolónia, deputada do PEV, admitiu ontem apresentar queixa à Comissão Europeia caso o Governo se decida pela co-incineração no Outão (Setúbal), uma zona protegida no Parque Natural da Arrábida. À TSF disse ainda que vai pedir ao Governo um “debate de urgência” no Parlamento.
CDS-PP ESTÁ CONTRA
José Ribeiro e Castro, líder do CDS-PP, manifestou-se ontem “frontalmente contra” a intenção do Governo retomar o processo da co-incineração, desafiando o primeiro-ministro e o ministro do Ambiente a explicar a opção do Executivo.
O QUE É?
A co-incineração é a queima de resíduos perigosos em fábricas usadas para outras funções, como as cimenteiras, que substituem parte do combustível usado no fabrico de cimento em resíduos queimados a altas temperaturas depois de tratados.
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