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Correio da Manhã

Política
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Alegre encosta Sócrates

Manuel Alegre, ao assumir a sua disponibilidade para se candidatar à Presidência da República, pressiona o PS, em particular o secretário-geral e primeiro-ministro, José Sócrates, a tomar uma decisão sobre o candidato a apoiar. “Como ninguém dizia nada, disse eu!”, explicou Manuel Alegre ao CM, justificando assim a sua manifestação de “disponibilidade”.
24 de Julho de 2005 às 00:00
Manuel Alegre explica que 'estar disponível, não é o mesmo que ser candidato'
Manuel Alegre explica que 'estar disponível, não é o mesmo que ser candidato' FOTO: Estela Silva (Lusa)
O histórico socialista, deputado desde a Assembleia Constituinte (há 30 anos), esclareceu tratar-se de “uma questão pessoal, como está previsto na Constituição”, acrescentando não ter concertado a sua tomada de posição com ninguém, nomeadamente com o primeiro-ministro e secretário-geral do PS, José Sócrates.
‘DISPONÍVEL, NÃO É CANDIDATO’
Confrontado sobre se esta tomada de posição é irreversível, sem recuo possível, Manuel Alegre salvaguardou que “estar disponível não é o mesmo que ser candidato”.
Em nome de José Sócrates, a respectiva assessora de imprensa recordou as afirmações proferidas pelo primeiro-ministro na passada quarta-feira, no final de um almoço no American Club, altura em que declarou: “Quando tiver alguma coisa para dizer sobre as presidenciais, digo!”. A mesma assessora garante que desde então “nada mudou”.
Já o coordenador nacional autárquico e presidente da comissão permanente do PS, Jorge Coelho, depois de solicitado pelo CM, declarou, lacónico, nada querer adiantar sobre este assunto.
“Não vou dizer nada sobre isso”, afirmou Jorge Coelho, relativamente às hipotéticas candidaturas à Presidência da República, tanto de Manuel Alegre, como de Mário Soares (ver caixa), esta última sugerida ontem pelos jornais ‘Diário de Notícias’ e ‘Expresso’.
APOIOS E OUTRAS CONSIDERAÇÕES
PESSOAL
O líder da bancada do PS, Alberto Martins, afirmou ontem o seu apoio “pessoal” a uma eventual candidatura de Manuel Alegre, congratulando a “disponibilidade para combater a direita”.
PERFIL
Vera Jardim defendeu ontem que Alegre tem “o perfil certo” para concorrer à Presidência, sublinhando a dimensão de “democrata”, “lutador pelos direitos humanos” e “homem de cultura”.
ESPERAR
João Soares entende que, face a “três bons possíveis candidatos” e de “não haver candidatura à direita”, o PS deve agora “não confundir eleições” e “só decidir o candidato presidencial depois das autárquicas”.
MÁRIO SOARES POUCO INCLINADO
Mário Soares está, segundo afirmou ao CM fonte próxima do próprio, “pouco inclinado a aceitar” concorrer à Presidência da República, preferindo concentrar-se nos projectos pessoais. Depois de ter dito que não se candidata e que apoia “o candidato do PS”, Mário Soares foi ontem indicado por dois jornais como estando a “ser pressionado” para se candidatar em nome da esquerda.
Ao CM,Vítor Ramalho, organizador do jantar do 80.º aniversário de Soares, admitiu as insistências junto do ex-presidente para que assuma um eventual confronto com Cavaco Silva, uma vez que, defende, “é a candidatura mais abrangente da esquerda”.
LÍDERES DO PSD E DO CDS CRITICAM
Os líderes do PSD e do CDS--PP criticaram ontem o Governo e o PS de andarem distraídos a escolher candidatos presidenciais em vez de resolver os problemas do País.
“A esquerda anda inquieta e com dificuldades em arranjar candidato às eleições presidenciais. A mim o que mais me preocupa não são as presidenciais, mas a insensibilidade social do Governo, cujas medidas não relançam a economia”, disse Marques Mendes.
Para Ribeiro e Castro, a questão das presidenciais “está a as dividir o PS e pode tornar-se um factor de instabilidade também dentro do Governo”. Nas suas palavras, isso é parte de uma estratégia para distrair dos portugueses dos temas que os preocupam”.
CAVACO SEM RECEIO DE SOARES
“Saber quem é o candidato da esquerda [às eleições presidenciais] não é o factor decisivo nem para o ‘timing’ da apresentação da candidatura nem para decidir se avança com uma candidatura”. Com estas palavras, um apoiante muito próximo de Cavaco Silva deixa claro que o ex-primeiro-ministro não receia um eventual duelo com Mário Soares nas próximas presidenciais.
Sublinhando que Cavaco avançará com uma candidatura se perceber que “vai ser útil ao País”, a mesma fonte deixou claro que “o problema é se ele quer desprender-se da vida pessoal descontraída que tem”, até porque “aprecia muito as delícias dessa vida”.
Ontem, Cavaco Silva reafirmou que a eleição presidencial “é um assunto muito importante” e “tem de ser falado com a família”. O antigo primeiro-ministro tem recorrido com frequência a este argumento para recusar revelar se é candidato ao cargo.
Já em Março passado Cavaco Silva esteve de férias na Baía, no nordeste do Brasil, onde terá reflectido sobre este assunto. A avançar, deverá anunciar a candidatura após as eleições autárquicas.
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