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Correio da Manhã

Política
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Alegre falta à votação do OE

Manuel Alegre, deputado socialista, eleito parlamentar desde 1975, não esteve presente na votação do Orçamento de Estado para 2006. A explicação parece simples: a consciência falou mais alto e o poeta optou pela sua condição de candidato às presidenciais.
12 de Novembro de 2005 às 00:00
“Sou candidato à Presidência da República. Neste momento é essa a minha condição”, explicou aos jornalistas, à margem de uma condecoração que recebeu do Estado cabo-verdiano através do seu embaixador em Lisboa, Onésimo Silveira.
O candidato admitiu, contudo, que se estivesse em causa a aprovação das contas gerais do Estado propostas pelos socialistas, teria votado favoravelmente o texto, apresentando uma declaração de voto para o efeito.
Nas suas curtas explicações, o deputado – que até foi visto ontem no Parlamento – lembrou que não sabe, sequer, quantas vezes irá à Assembleia nos próximos tempos. Mas não vai suspender o mandato.
Questionado sobre a sua atitude de combatividade em contraponto com a ausência em Plenário, Alegre lembrou que “está a lutar em condições desiguais”, numa alusão às dificuldades em criar uma máquina de campanha sem estruturas partidárias. Alegre considerou também que a sua ausência da votação não irá prejudicar ainda mais a sua relação com o seu partido: “Não houve quebra de solidariedade”. O mistério sobre a sua posição no Orçamento, recorde-se, foi alimentado ao longo da semana. Jerónimo de Sousa, seu adversário e líder do PCP, é que não gostou e acusou-o de inconsistência.
KÁTIA GUERREIRO NÃO ACEITA DEBATES
A mandatária para a Juventude da candidatura de Cavaco Silva à Presidência da República, Katia Guerreiro, não aceita participar em debates com os mandatários das outras candidaturas presidenciais, mas aceita entrevistas e já gravou uma que será transmitida no próximo dia 17, na Rádio Renascença.
Katia Guerreiro recusa debates porque não é “candidata a nada”, não é “protagonista nem analista política” e não aspira “a nenhum cargo político”. Mais, “não pretendo ocupar nenhum cargo depois das eleições”, adiantou ao CM, lembrando que dá a cara por Cavaco Silva para mostrar que acredita nele.
Os debates com os outros mandatários para a Junventude seriam, para a fadista Katia Guerreiro, “discussões políticas”, o que não faz sentido para quem não pretende ter um papel activo nesta área. Além da mandatária de Cavaco, a Renascença entrevistará, terça-feira, dia 15, a mandatária para a Juventude da candidatura de Mário Soares, Joana Amaral Dias; dia 16, o mandatário de Francisco Louçã, Miguel Guedes (vocalista dos Blind Zero), e dia 18 o mandatário da candidatura de Manuel Alegre, Pacman (vocalista dos Da Weasel). Todas as entrevistas serão transmitidas no programa ‘Edição da Noite’, que vai para o ar todos os dias às 23h00.
SARAMAGO VOTA PCP
O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, candidato do partido à Presidência da República, considerou “compreensível” que o escritor José Saramago esteja na comissão de apoio do seu adversário Mário Soares. Mas, segundo Jerónimo, “o que é de destacar é que [Saramago] não só está na comissão de apoio à minha candidatura como vai votar” à primeira volta na candidatura apoiada
pelo PCP, garantiu. Presente no lançamento de um selo de homenagem a Álvaro Cunhal, o candidato a Belém lamentou ainda o silêncio de Cavaco Silva e atribuiu-o ao medo que este candidato tem de perder votos. E isto porque, para Jerónimo, o ex-primeiro-ministro sofre de um “vazio de argumentação”.
CAVACO EM VISEU
O candidato à Presidência da República Cavaco Silva visita amanhã a Santa Casa da Misericórdia de Sernancelhe, no distrito de Viseu, a convite do provedor Mário Alberto Dias Araújo Pinto. Cavaco visitará também a Expomeda, em Meda, certame que reúne as actividades do concelho e, a convite da Associação para a Promoção e Preservação do Património de Marialva, assistirá à cerimónia da escritura pública da constituição desta associação. No final, o ex-primeiro-ministro participará num magusto com a população. Com estas visitas, o candidato quer “dar um sinal do seu forte empenhamento na defesa da coesão económica e social”, refere a candidatura.
REACÇÕES DO PS
PERESTRELLO
“Ao contrário do que parece fazer crer Manuel Alegre, ele não é dispensável nas votações enquanto deputado”, declarou o secretário nacional para a organização. Mota Andrade, vice--presidente da bancada, considerou que Alegre não poderia faltar à votação com o argumento invocado.
MARTINS
O líder parlamentar socialista Alberto Martins, e ex-apoiante de Alegre nas eleições internas, tem um discurso mais brando. Em seu entender, “o mandato de deputado é livre, e não tem de ser julgado”.
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