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Correio da Manhã

Política
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Alegre vinca diferenças entre PS e PSD

O ex-candidato presidencial Manuel Alegre acentuou este sábado as diferenças entre PS e PSD, acusando o principal partido da Oposição de pretender privatizar Portugal, e advertiu PCP e BE para que não repitam 1975, tentando "marginalizar" os socialistas.
9 de Abril de 2011 às 13:34

No seu primeiro discurso após a derrota que sofreu diante de Cavaco Silva nas eleições  presidenciais de Janeiro, Alegre fez uma longa série de críticas à pressão dos mercados financeiros, à hegemonia de uma corrente neoliberal na União  Europeia e à actuação política do PSD que, na sua perspectiva, conduziu à  abertura de uma crise política em Portugal.

Numa rejeição de um "bloco central", o socialista salientou que "as diferenças entre PS e PSD são muito maiores do que aquilo que se  pretende fazer crer". “O Serviço Nacional de Saúde é a diferença entre PS e PSD; a escola pública é a diferença entre o PS e o PSD; a segurança social pública é a diferença entre o PS e o PSD; o conceito de justa causa nos direitos laborais é a diferença entre o PS e o PSD; a Caixa Geral de Depósitos é a diferença entre o PS e o PSD", declarou, recebendo dos delgados do Congresso socialista, que decorre em Matosinhos uma prolonga salva de palmas.

Alegre considerou depois que o PSD está a deitar foguetes antes de tempo, quando se coloca como favorito à vitória nas próximas eleições. Nas próximas eleições "estará em confronto o projecto do PS, que visa conjugar a consolidação das contas públicas, mas preservando o Estado social e o do PSD que é estratégico para a destruição do Estado social e dos serviços  públicos. Não se pode privatizar Portugal -um país que tem quase nove  séculos de História", sustentou.

O ex-candidato presidencial defendeu ainda José Sócrates, isentando-o de qualquer responsabilidade na abertura da crise política. “Agora todos falam em consenso, mas quando José Sócrates quis o consenso ninguém respondeu. E uma coisa é o consenso e outra coisa são ambições de poder e interesses partidários. Uma coisa é o consenso e outra coisa é pretender colocar o PS a reboque do PSD", disse, depois de considerar inaceitável a pressão exercida por outros partidos no sentido de que José Sócrates se  afaste da liderança do PS.  

Alegre deixou também um aviso sobre os objectivos finais do diálogo político entre PCP e Bloco de Esquerda. "Sou um homem de esquerda que defende o diálogo à esquerda, mas quero  dizer com toda a clareza o seguinte: não repitam o erro de 1975, não queiram dispensar os socialistas, porque não há soluções de esquerda sem o PS ou  contra o PS", declarou, sendo de novo muito aplaudido.

Na parte final da sua intervenção, o histórico socialista deixou ainda um recado para o interior do seu partido. “O PS tem de estar aberto a novas realidades, há muita gente divorciada da vida política, há muita gente que não se reconhece nas instituições. O PS tem que se abrir, tem de saber compreender a geração à rasca ou as várias gerações à rasca, tem de saber integrá-los e enquadrá-los, porque os partidos existem para a sociedade e não para si mesmos, para representar e o povo e não para representarem a si mesmos", advertiu.

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